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Agronegócio

Veto da UE e cota chinesa fazem Brasil mirar Japão, Coreia e Canadá

As exportadoras brasileiras concentram esforços na conclusão dos acordos comerciais entre Mercosul e os três países, cujas tratativas avançam, mas ainda dependem de alinhamentos políticos e sanitários

carne bovina China
Mercados do Oriente Médio também são considerados estratégicos, sobretudo pela demanda por produtos halal, adequados aos costumes islâmicos | Foto: Reprodução/Agência Brasil

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Produtores brasileiros de carne bovina estão intensificando esforços para expandir suas exportações para mercados de alto valor, como Japão, Coreia do Sul e Canadá, em resposta às restrições da União Europeia e ao esgotamento da cota chinesa. A Coreia do Sul, que importa 60% da carne que consome, está avaliando as condições sanitárias em uma missão a frigoríficos brasileiros. O Japão aguarda resultados de auditoria em três Estados, enquanto o Canadá enfrenta resistência local a um acordo com o Mercosul.

Diante das restrições impostas pela União Europeia (UE) e do esgotamento da cota chinesa para carne bovina sem tarifas, produtores brasileiros buscam ampliar sua presença em mercados de alto valor, como Japão, Coreia do Sul e Canadá. Esses países passaram a ser prioridade nas negociações do setor.

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As exportadoras brasileiras concentram esforços na conclusão dos acordos comerciais entre Mercosul e os três países, cujas tratativas avançam, mas ainda dependem de alinhamentos políticos e sanitários. A expectativa é otimista, mas a entrada efetiva da carne brasileira nesses mercados ainda exige etapas regulatórias e negociações diplomáticas.

Avanço das negociações com Japão, Coreia e Canadá

Nesta terça-feira, 11, uma missão da Coreia do Sul visita frigoríficos brasileiros para avaliar as condições sanitárias, passo considerado fundamental para a abertura do mercado coreano ao produto nacional. O tema ganhou destaque na relação bilateral depois da visita do presidente sul-coreano a Brasília no final de julho.

O mercado coreano se mostra estratégico, pois o país importa cerca de 60% da carne bovina que consome, colocando-o como o quarto maior comprador global. Em 2025, a Coreia gastou US$ 6,9 bilhões na aquisição de 500 mil toneladas do exterior. No entanto, a falta de acordo sanitário para carne in natura ainda impede o início das vendas brasileiras.

Em março, o Japão realizou auditoria no sistema sanitário de três Estados do Sul do Brasil, e o setor aguarda os resultados. O interesse japonês se deve aos altos preços pagos pela carne e ao volume anual de 700 mil toneladas importadas, principalmente dos Estados Unidos e da Austrália.

O Canadá já importa carne bovina brasileira desde 2022, mas enfrenta resistência de produtores locais ao avanço de um acordo com o Mercosul, que poderia elevar o volume vendido ao país. O temor é que a entrada de carne mais barata prejudique a competitividade da indústria canadense.

Ao portal Poder360, fontes do setor relatam que a questão da carne permanece como entrave central nas negociações entre Mercosul e Canadá. O debate gira em torno de ampliar ou não o acesso do produto brasileiro ao mercado canadense.

Busca por novos mercados e desafios regulatórios

Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, afirma que a busca por Japão e Coreia é uma resposta às barreiras impostas por China e Europa. “A gente está vendo possibilidades bastante fortes principalmente nesses mercados asiáticos”, explicou Gilio. A gente já vem atendendo aos requisitos que eles vêm exigindo. O Brasil intensificou a negociação com eles, principalmente depois dessas questões envolvendo o tarifaço [dos EUA], agora com essas restrições europeias, e também com a restrição da China. Isso já vem há alguns anos, e, provavelmente, a gente vai concretizar agora.”

Mercados do Oriente Médio também são considerados estratégicos, sobretudo pela demanda por produtos halal, adequados aos costumes islâmicos. O Brasil mantém posição de destaque nas exportações de carne bovina e de frango para a região, com atendimento das exigências religiosas locais.

O Vietnã é outro destino recente, com exportações iniciadas em março de 2025, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país. Segundo a Abiec, a expectativa é fechar o ano com 15 mil a 20 mil toneladas exportadas ao mercado vietnamita.

Roberto Perosa, presidente da Abiec, considera o Vietnã promissor, mas reconhece que o consumo local ainda está em processo de transformação. “É um mercado que vai demorar um certo tempo para ser amadurecido”, afirmou Perosa ao Poder360. “Hoje, no Vietnã, as pessoas preferem comprar a carne pendurada na rua do que a carne embalada. Mas isso é mudança cultural. É um país que está crescendo, e que as pessoas estão aumentando a sua renda e começam a deixar de comprar carne na rua e comprar no supermercado. Isso gera uma oportunidade para o Brasil.”

Preocupações com restrições europeias e padrões internacionais

Mesmo diante de novas oportunidades, o possível veto europeu preocupa o setor, pois o bloco questiona o uso de antimicrobianos para crescimento animal na produção brasileira, prática proibida pela legislação da União Europeia. O governo e a indústria seguem tentando reverter essa decisão.

O pecuarista André Bartocci destaca que exportar para a Europa facilita o acesso a outros mercados de alto valor. “A Europa faz parte de uma estratégia maior que a gente conseguir conquistar os grandes mercados, os melhores mercados, que seriam Japão, Coreia, Canadá, mercados que pagam mais”, declarou Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina. “É lógico que estar exportando para a Europa torna mais fácil acessar esses mercados.”

Leandro Gilio acrescenta que atender aos padrões europeus funciona como referência internacional. “Se a gente consegue atender a padrões europeus, é como se fosse um cartão de visitas para outros países que, eventualmente, usem exigências semelhantes.”

Reconhecimento sanitário e papel dos organismos multilaterais

Apesar do reconhecimento concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal em maio de 2025, que declarou o Brasil livre de febre aftosa sem vacinação, Japão, Canadá e Coreia ainda não oficializaram a decisão, o que pode dificultar negociações, segundo Roberto Perosa.

Leia também: “A embaixada dos Batista”, artigo de Yasmin Alencar na Edição 324 da Revista Oeste

Perosa avalia que a atuação de organismos multilaterais, como a OMSA, está enfraquecida e defende avanços por meio de tratados bilaterais. “O mundo da negociação não passa tanto pelos organismos multilaterais, e sim pelos acordos entre blocos”, declarou. “Por isso que a gente apoia todas essas negociações entre blocos, para que a gente possa ter cada vez mais instrumentos de fluxo comercial, de fiscalização do fluxo comercial e que a gente também não fique refém desses organismos multilaterais que hoje a grande maioria deles está sem atividades relevantes.”

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