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Grupo Globo concentra quase 50% da verba de TV do governo Lula

Big techs também ampliam ganhos com publicidade federal, enquanto estatais permanecem sem transparência

Atriz Globo
Segundo o painel, o Grupo Globo recebeu R$ 461,5 milhões desde o início do novo mandato | Foto: Divulgação/Rede Globo

Os canais do Grupo Globo ficaram com 49,4% de todo o valor gasto com publicidade televisiva do governo Lula neste terceiro mandato. As cifras correspondem às despesas da Secretaria de Comunicação Social (Secom), dos ministérios e de órgãos diretamente vinculados ao Executivo. As informações são do portal Poder360.

O governo não divulga os valores repassados por empresas estatais. O levantamento, feito a partir de dados do Sistema de Comunicação de Governo (Sicom), considerou os números corrigidos pela inflação. Segundo o painel, o Grupo Globo recebeu R$ 461,5 milhões desde o início do novo mandato.

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No mesmo período do governo anterior, sob Jair Bolsonaro, o total repassado ao conglomerado havia sido de R$ 228,5 milhões. O crescimento chegou a 102%.

Mesmo com a televisão mantendo a liderança nos investimentos publicitários, os anúncios digitais ganharam espaço. Em 2024, 45,7% dos R$ 770 milhões aplicados pela administração federal direta em propaganda foram destinados à TV. A internet continuou como segundo canal preferencial do governo, com participação crescente nos dois anos seguintes.

Em 2023, os meios digitais representaram 18,5% da verba. Em 2024, o percentual subiu para 21%. Já em 2025, mesmo com dados ainda parciais, a participação digital saltou para 35,2%.

Segundo o Poder360, a guinada coincidiu com a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secom, em janeiro de 2025. Ele promoveu mudanças internas com o objetivo de aumentar a popularidade de Lula, que vinha expressando insatisfação com os rumos da comunicação oficial.

Big techs recebem mais; rede de Musk fica sem verba

As plataformas de redes sociais também registraram aumento expressivo na receita com publicidade federal. Em 2024, receberam R$ 54 milhões. Em 2025, esse montante saltou para R$ 125,8 milhões, mesmo com o ano ainda em andamento. O crescimento até o momento é de 133,2%.

O Google lidera os repasses, seguido por Meta, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp. O Kwai aparece na sequência. O X, por sua vez, não recebeu nenhum repasse da Secom ou dos ministérios neste ano.

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Em 2024, Lula determinou a suspensão de anúncios na plataforma depois das declarações de Elon Musk contra o ministro Alexandre de Moraes e o próprio governo federal.

No entanto, Lula continua usando o X como principal canal para divulgar ações e emitir posicionamentos políticos.

Secom supera R$ 360 milhões em 2025

Conforme o Poder360, a maior parte da verba publicitária federal neste ano ficou sob controle da Secom. Até dezembro de 2025, o órgão havia movimentado R$ 368,7 milhões, o equivalente a 69,1% do total gasto pela administração direta. O Ministério da Saúde aparece na sequência, com R$ 133,1 milhões, o que representa 25% do total.

Outros ministérios, como o do Turismo (R$ 17,2 milhões), Desenvolvimento Regional (R$ 4,3 milhões), Transportes (R$ 3,3 milhões), Educação (R$ 3,2 milhões) e Comunicações (R$ 639 mil), utilizaram verbas menores para campanhas específicas.

A Infraero (R$ 1,4 milhão) e o Inmetro (R$ 1,2 milhão) também aparecem no painel do Sicom, mas com quantias residuais.

Desde 2017, quando o governo Temer interrompeu o Instituto para Acompanhamento da Publicidade (IAP), não há mais divulgação sistemática desses dados. O IAP funcionava como um órgão técnico financiado por agências de publicidade com contratos federais. Seu custo mensal era de pouco mais de R$ 100 mil.

Em 2016, último ano com números disponíveis, o total gasto com publicidade estatal federal somou R$ 1,5 bilhão. Desse valor, R$ 1,07 bilhão veio de empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica e Correios.

Eis a íntegra da resposta da Secom:

“Os critérios utilizados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para a distribuição do investimento em publicidade são balizados por critérios técnicos. O reforço do uso das redes sociais para divulgação das ações do Governo do Brasil reflete os novos hábitos da população na hora de buscar informações, com aumento do tempo dedicado à navegação nesses canais. A estratégia tem como objetivo garantir e ampliar o acesso da população a informações relacionadas aos direitos do cidadão e aos serviços colocados à sua disposição.”

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