publicidade
Imprensa

Prorrogação do Desenrola é incentivo ao endividamento, diz Estadão

Editorial afirma que extensão do prazo dificulta o controle inflacionário

Desenrola Brasil: governo colocou dezenas de bilhões de reais de dinheiro público para garantir dívidas privadas | Foto: Shutterstock

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O editorial do jornal O Estado de S. Paulo, publicado em 1º de agosto de 2026, critica a prorrogação do programa Desenrola Brasil até o fim de agosto, considerando a medida uma estratégia eleitoral do governo federal, que visa render votos ao presidente Lula em vez de resolver o endividamento da população. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, justificou a extensão como uma oportunidade para que inadimplentes regularizem suas pendências antes de novos financiamentos.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste sábado, 1º, um editorial em que critica a decisão do governo federal de prorrogar o prazo de adesão ao programa Desenrola Brasil até o fim de agosto. Para o jornal, a medida reforça o caráter eleitoral da iniciativa, anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e mantém uma política de incentivo ao endividamento durante o período oficial de campanha.

No texto, o jornal sustenta que a extensão do programa, inicialmente prevista para terminar no próximo dia 3, não tem como objetivo principal reduzir de forma definitiva o endividamento da população.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias da Imprensa em Oeste

Segundo o editorial, o Desenrola “continuará operando em pleno período de campanha eleitoral oficial”, o que “só expõe o verdadeiro caráter do programa: render votos a Lula, e não tirar em definitivo milhões de brasileiros do endividamento crônico que lhes rouba a paz”.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Estadão também destaca uma declaração de Durigan ao justificar a prorrogação. O ministro afirmou que “esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto, carro, para trocar a sua moto, o seu carro, possam resolver eventuais pendências previamente”.

Na avaliação do jornal, a fala demonstra que o governo busca permitir que inadimplentes regularizem sua situação financeira para, em seguida, terem acesso a novas linhas de financiamento. O editorial resume esse entendimento ao afirmar que o Executivo está ampliando o prazo “para que brasileiros inadimplentes limpem seu nome na praça e, logo em seguida, voltem a se endividar”.

Desenrola dificulta controle da inflação promovido pelo BC

O editorial relaciona a prorrogação do Desenrola a outras iniciativas recentes de incentivo ao crédito, entre elas o programa Move Brasil. Lançado inicialmente para taxistas e motoristas de aplicativos adquirirem novos veículos e, mais tarde, estendido a motociclistas, o programa é apontado pelo Estadão como uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para recuperar popularidade na disputa pela reeleição.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília - DF (4/5/26) | Foto: Montagem Revista Oeste/Ricardo Stuckert/PR/IA
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília – DF (4/5/26) | Foto: Montagem Revista Oeste/Ricardo Stuckert/PR/IA

Segundo o texto, dos R$ 30 bilhões reservados para o Move Brasil, apenas R$ 2,2 bilhões haviam sido liberados até o momento, o equivalente a 7,3% do total. O jornal afirma que esse desempenho levou Lula a cobrar dos bancos públicos maior rapidez na concessão de crédito para taxistas e entregadores de aplicativos.

O Estadão também menciona a atuação da Caixa Econômica Federal, que passou a considerar formal a renda de trabalhadores de plataformas digitais durante a análise de crédito. Em comunicado, o banco informou que “a mudança aperfeiçoa o processo de análise de crédito para esse público”.

Essas políticas, pontua o editorial, dificultam o combate à inflação conduzido pelo Banco Central. O jornal cita a Selic de 14,25% ao ano ao argumentar que a ampliação do Desenrola tende a perpetuar o ciclo de endividamento das famílias.

“Não há como a taxa Selic cair de forma sustentada, nem como o brasileiro furar o ciclo da inadimplência, se o governo trabalha incansavelmente para manter os juros altos”, conclui o texto.

Leia também: “O fracasso do Desenrola“, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 329 da Revista Oeste

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade