publicidade
Mundo

Irã inclui indenização dos EUA entre as exigências para acordo

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado que este seria o melhor momento para um entendimento

Guerra Irã EUA negociações
EUA também quer que Irã atenda às suas exigências para encerrar a guerra | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O Irã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz a seis exigências dirigidas aos Estados Unidos, incluindo indenizações pelos danos do conflito, suspensão de sanções e retirada de forças militares próximas ao Irã. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Bagher Zolghadr, afirmou que as condições refletem as demandas da população iraniana. O presidente Masoud Pezeshkian destacou a coesão interna do país e a necessidade de um acordo.

O Irã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao atendimento de seis exigências dirigidas aos Estados Unidos. A passagem marítima, uma das principais rotas de transporte de energia do planeta, respondia por cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente antes do início da guerra.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

A relação de condições foi apresentada por Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e divulgada pela agência Tasnim News Agency, ligada ao governo iraniano.

Os EUA, pelas exigências iranianas, terão que arcar integralmente com os prejuízos provocados pelo conflito, por meio de indenização, suspender as sanções impostas ao país e desbloquear ativos financeiros iranianos.

Também foram mencionadas pelo Irã a necessidade de suspensão do bloqueio naval norte-americano, a retirada das forças militares posicionadas nas proximidades do território iraniano e o encerramento da guerra contra o Irã e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque.

Teerã exige ainda que os EUA não ameacem o Irã nem desrespeitem os valores considerados sagrados pela população iraniana.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou neste sábado, que este seria o melhor momento para um acordo. Segundo ele, o país está estruturado. “Há coesão, força e unidade no país. Pelo que sei, o Irã é considerado vitorioso e poderoso nesta guerra”, declarou Pezeshkian, segundo a imprensa iraniana.

O presidente também afirmou que Teerã vem tentando avançar diplomaticamente para resolver o conflito. Para Pezeshkian, a situação de “nem guerra nem paz” não pode se prolongar indefinidamente. “Você não pode lutar para sempre; em algum momento, isso precisa chegar ao fim”, disse.

A fala ocorre em meio às negociações sobre a retomada da circulação pelo Estreito de Hormuz e sinaliza disposição iraniana para um entendimento, embora as condições apresentadas pelo Conselho de Segurança Nacional mantenham a pressão sobre Washington.

Zolghadr afirmou que as condições apresentadas correspondem às reivindicações da população iraniana. Segundo ele, as demandas vêm sendo expressas nas ruas e em manifestações ao longo dos últimos 160 dias.

A posição de Teerã é que o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuará interrompido enquanto Washington não modificar sua conduta. “Enquanto os EUA não corrigirem seu comportamento, o Estreito de Ormuz não será reaberto”, afirmou o comunicado.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou neste sábado, em entrevista à Fox News, que é o Irã quem vai precisar se adequar a exigências norte-americanas, em um momento em que o país está “sofrendo muito”.

“Eles querem que isso termine”, disse Vance. “A questão é se eles são capazes, se o regime é capaz, de oferecer o que é necessário para que fiquemos satisfeitos e sintamos que obtivemos o que precisamos deste confronto.”

Para Vance, a capacidade do Irã de aceitar as exigências norte-americanas “ainda precisa ser determinada”. Segundo ele, as negociações com o regime iraniano “avançaram um pouco nos últimos dias”.

Entre as condições apresentadas pelo Irã estão o fim permanente das operações militares e da agressão contra o país e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque, além da suspensão do bloqueio naval e da retirada das forças navais e aéreas americanas das áreas próximas ao território iraniano.

Teerã exige ainda o ressarcimento integral dos danos provocados pelo conflito, sem redução dos valores devidos, a retirada das sanções consideradas injustas e ilegais e a liberação incondicional dos ativos iranianos bloqueados.

Irã negocia com Omã enquanto faz exigências aos EUA

Em meio às exigências feitas aos EUA, o Irã avançou nas conversas com Omã sobre o futuro funcionamento do Estreito de Ormuz.

Leia também: “A voz da liberdade”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição X da Revista Oeste

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que os dois países estão “muito perto” de chegar a um entendimento. As negociações foram classificadas como positivas e construtivas pelo Ministério das Relações Exteriores de Omã.

A eventual retomada do tráfego, porém, permanece vinculada a outras condições discutidas entre Irã e EUA. Araghchi também afirmou que Washington precisa reparar violações que, segundo Teerã, ocorreram em relação ao memorando de entendimento firmado pelos dois países em junho.

Já o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica declarou que um eventual acordo entre Irã e Omã não seria suficiente, por si só, para reabrir o estreito. A retomada da navegação dependeria da aceitação, pelos Estados Unidos, das condições estabelecidas por Teerã.

O Parlamento iraniano também avançou na definição dos termos de uma possível cooperação regional. A emissora estatal IRIB informou que os parlamentares chegaram a um consenso sobre uma proposta de acordo de cooperação com Omã. O texto ainda depende de aprovação final.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade