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Venezuela recorre ao rei Charles III para destravar ouro bloqueado em Londres

Presidente interina Delcy Rodríguez quer usar reservas de US$ 1,9 bilhão para financiar a reconstrução depois de terremotos que devastaram o país

Delcy Rodríguez, ao sancionar a lei da anistia na Venezuela - 19/2/2026 | Foto: Divulgação/Asamblea Nacional
Delcy Rodríguez, ao sancionar a lei da anistia na Venezuela - 19/2/2026 | Foto: Divulgação/Asamblea Nacional

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, solicitou ao rei Charles III a liberação de reservas de ouro venezuelanas, avaliadas em US$ 1,9 bilhão, mantidas no Banco da Inglaterra, para ajudar as vítimas dos terremotos de 24 de junho, que deixaram 3.811 mortos e 16.740 feridos. As reservas estão bloqueadas devido à negativa da Justiça britânica ao governo de Nicolás Maduro.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu ao rei Charles III que autorize a liberação das reservas de ouro venezuelanas mantidas no Banco da Inglaterra para financiar a assistência às vítimas dos terremotos que atingiram o país em 24 de junho.

Segundo ela, os ativos, avaliados em cerca de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,7 bilhões), pertencem ao povo venezuelano e devem ser usados na reconstrução. “Esse ouro é do nosso povo”, afirmou. “É para lidar com as consequências do sismo.”

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As reservas permanecem bloqueadas desde que a Justiça britânica negou ao governo de Nicolás Maduro o controle sobre os ativos. Delcy assumiu a Presidência interina depois da prisão de Maduro, em 3 de janeiro, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas.

Ela também informou que conversou com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, para solicitar acesso aos recursos da Venezuela no organismo.

Os direitos de saque da Venezuela

Venezuela
Bandeira da Venezuela | Foto: Reprodução/ X

O país possui 3,57 bilhões de direitos especiais de saque (DES), equivalentes a cerca de US$ 5,1 bilhões (R$ 26,2 bilhões), mas os valores seguem indisponíveis devido ao não reconhecimento internacional do governo Maduro. O chanceler venezuelano, Yván Gil, também defendeu a liberação dos recursos congelados no exterior.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo e devastaram Caracas e, principalmente, o Estado costeiro de La Guaira. Segundo o governo, 3.811 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas.

Na quarta-feira 8, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um apelo para arrecadar US$ 296 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) destinados às operações de ajuda humanitária pelos próximos seis meses.

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O coordenador de ajuda de emergência da ONU, Tom Fletcher, afirmou que o plano busca atender 1,3 milhão de pessoas. Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estima que 234 mil crianças precisarão de assistência.

O governo venezuelano ainda não divulgou um número oficial de desaparecidos. Organizações da sociedade civil calculam cerca de 30 mil desaparecidos, enquanto a ONU trabalha com uma estimativa de até 50 mil.

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