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No Ponto

Congresso começa ‘esforço concentrado’ para acelerar votações em meio à campanha eleitoral

Câmara e Senado reservam duas semanas para avançar em propostas pendentes; Motta reúne líderes nesta terça-feira, 11, para definir a pauta do plenário

Câmara - Vista superior do plenário da Câmara dos Deputados com parlamentares reunidos durante sessão legislativa no Congresso Nacional.
Câmara e Senado separam duas semanas para analisar propostas pendentes | Foto: | Foto: Agência Brasil/Divulgação

O Congresso Nacional começa nesta semana a primeira rodada de esforço concentrado para tentar avançar em votações antes que a campanha eleitoral esvazie de vez os plenários. Câmara e Senado organizaram períodos específicos de sessões deliberativas em agosto e no início de setembro, em uma tentativa de concentrar a análise de projetos pendentes enquanto deputados e senadores dividem a rotina legislativa com as agendas eleitorais nos Estados.

Na Câmara, a programação desta primeira semana ainda vai ser fechada. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião de líderes para a tarde desta terça-feira, 11, quando pretende definir quais matérias devem ir ao plenário. Uma segunda rodada de votações concentradas está prevista entre 31 de agosto e 3 de setembro.

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Hugo Motta declarou apoio à reeleição de Lula durante agenda nesta segunda-feira, 10 | Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Entre as propostas na mesa de negociações está a medida provisória (MP) voltada à renegociação das dívidas rurais, resultado das tratativas entre o Executivo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a presidência da Câmara. A matéria deve avançar por já ter um acordo fechado entre líderes partidários e o governo.

Também permanece no radar a ampliação do teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI). O assunto, contudo, ainda depende de entendimento entre governo e Congresso. Uma comissão especial da Câmara já discute uma proposta que inclui mudanças nos limites do Simples Nacional, ponto que enfrenta resistência do Executivo diante do impacto fiscal.

A deputada Tabata Amaral
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) foi a relatora do PL da Misoginia no Grupo de Trabalho do projeto na Câmara | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Outra matéria que pode voltar às negociações é o chamado PL da Misoginia, relatado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Apesar de já tramitar em regime de urgência, a proposta chegou ao recesso sem consenso. O texto enfrenta resistência de parte dos parlamentares e depende de um novo acordo entre líderes para ter votação confirmada.

A definição sobre quais desses temas serão efetivamente analisados nesta primeira rodada vai ocorrer justamente na reunião comandada por Motta. O restante das matérias que não encontrarem ambiente para votação agora poderá ser empurrado para o segundo período de esforço concentrado, na virada de agosto para setembro.

Senado deve priorizar pautas consensuais

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) também estruturou o calendário para concentrar votações durante o período eleitoral. A tendência, no entanto, é que a Casa priorize matérias com maior grau de consenso, deixando propostas politicamente mais sensíveis para depois das eleições.

Alcolumbre Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não deve colocar pautas de impacto político nas semanas de ‘esforço concentrado’ I Foto: Divulgação/Senado

Entre os temas com perspectiva mais difícil está a PEC do Fim da Escala de 6×1, uma das principais bandeiras da gestão petista. A matéria ainda depende de despacho de Alcolumbre para começar a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e já provocou divergências entre o comando do Senado e parlamentares do PT.

O mesmo cenário atinge outras propostas de maior repercussão, como a PEC da Segurança Pública, a regulamentação da inteligência artificial, o marco legal dos minerais críticos e a medida provisória que altera a tributação de compras internacionais, conhecida como “MP das blusinhas”.

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Com apenas duas janelas de maior concentração das atividades legislativas previstas para este período, Câmara e Senado terão de selecionar quais matérias terão prioridade. 

A tendência é que, passada a rodada entre 31 de agosto e 3 de setembro, a campanha eleitoral passe a ocupar ainda mais a agenda dos parlamentares, reduzindo o espaço para votações de propostas que exijam presença elevada e articulação política em Brasília.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail noponto@revistaoeste.com.

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