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Política

O ministro das Comunicações é um desastre

Juscelino Filho é o retrato do governo Lula

ministro das comunicações
O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (esq), e o presidente Lula (dir), durante a cerimônia de posse de ministros do governo, no Palácio do Planalto - 01/01/2023 | Foto: Fátima Meira/Estadão Conteúdo

(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 1° de março de 2023)

Esse Juscelino Filho, que ganhou do presidente Lula o Ministério das Comunicações, é um desastre com perda total. Ele já estava fazendo hora extra no emprego; em qualquer governo que se desse um mínimo de respeito, deveria ter sido posto no olho da rua quando foi revelado que gastou dinheiro público para asfaltar uma estrada bem na frente de uma de suas fazendas no Maranhão. Agora, segundo divulgou uma reportagem de O Estado de S. Paulo, usou um jato da Força Aérea Brasileira para comparecer a um leilão de cavalos de raça em São Paulo, durante o fim de semana. Pior: recebeu do Erário diárias pelos dias da viagem, como se tivesse trabalhado em alguma coisa. Para completar, foi anunciado que ele ocultou mais de R$ 2 milhões do seu patrimônio na declaração feita à Justiça Eleitoral para as eleições de 2022. É esse o nível; é esse o retrato do governo Lula.

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Qual a seriedade que se pode esperar de um governo que entrega a um indivíduo como esse o seu Ministério de Comunicações, tido pela esquerda como uma das peças mais “estratégicas” do Estado brasileiro? Qual o critério de escolha? Não vale dizer, como resmunga agora o PT, que Lula não tem nada a ver com isso, porque apenas aceitou um nome indicado pela “base aliada”. De fato, o ministro vem de uma dessas gangues partidárias que infestam o Congresso Nacional e vendem apoio a qualquer governo, mas isso não é desculpa — quem o nomeou foi o presidente da República, e o presidente tem de ser responsável pelas nomeações que faz. O ministro dos cavalos está, sim, na conta de Lula — como estão a ministra cercada de milicianos que gastou mais de R$ 1 milhão em gráficas fantasmas e aluga, com dinheiro público, um escritório por três vezes o seu valor de mercado, mais uma penca de outros elementos da mesma qualidade.

Lula tem um problema sem solução com essa gente toda; o que pode dizer a eles, com a sua folha corrida na Justiça criminal? O presidente foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e só está solto porque o STF lhe deu de presente a “anulação” dos seus processos — por erro de endereço, disseram. E agora, diante de um Juscelino desses, ou qualquer outro igual a ele, o que Lula pode dizer? “Seja honesto”? Corre o risco de lhe rirem na cara. É aí, justamente, que está o problema: no Brasil de hoje, o presidente da República não vale mais, em termos de moral pública, do que qualquer dos tipos mais escuros que foram nomeados para o seu governo. É tudo pinga da mesma pipa.

Leia também: “O ministério de Lula é um pesadelo”, artigo de Silvio Navarro publicado na Edição 143 da Revista Oeste

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