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Edição 331

Confissão de incompetência abala credibilidade

Enquanto o governo admite não cumprir o prometido em relação à economia, o setor do agronegócio estoura o limite de exportação de carne para a China e Janja segue esbanjando

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O governo brasileiro, pela primeira vez, admitiu que a inflação deve ultrapassar a meta de 3%, projetando um IPCA de 5,1% para 2026, devido ao aumento do preço do petróleo e possíveis impactos do El Niño. O crescimento do PIB foi mantido em 2,3%, mas o déficit primário aumentou. A China atingiu o limite de importação de carne bovina, gerando apreensão no setor. A Ânima Educação anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões, mas o mercado reagiu negativamente.

Pela primeira vez o governo admitiu, oficialmente, que a inflação no país passará da meta de 3%. O Ministério da Fazenda projetou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,1% para 2026. O governo atribuiu a alta ao preço do petróleo e aos possíveis efeitos do El Niño, um fenômeno natural que pode interferir na produção agrícola e, consequentemente, nos preços dos alimentos. A meta da inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com margem de até 1,5% para mais ou para menos. Os dados foram divulgados pelo Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica. No documento anterior, a expectativa era de 4,5% (ainda dentro da meta). O crescimento esperado do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, no entanto, foi mantido em 2,3%. Já o déficit primário (gasta mais do que arrecada) de 2026, projetado em julho, é de R$ 58,1 bilhões.

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Quem paga a conta?

Com a inflação alta, o Banco Central aumenta a taxa básica de juros (a Selic, hoje a 14,25%) para desestimular o consumo. Na prática, isso significa crédito mais caro e poder de compra menor para os brasileiros. As famílias mais pobres são as que mais sentem o impacto. Do ponto de vista econômico, a variação da inflação não muda muito o cenário, pois o mercado já vinha trabalhando com esses números. O impacto da credibilidade é mais grave: o governo confessa que não está cumprindo o que prometeu.

Ilustração: Shutterstock

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Vai ter picanha?

O Brasil atingiu o limite de exportação de carne bovina para a China com taxa de 12%. Conforme o acordo firmado entre os dois países, após 1,1 milhão de toneladas, o produto tem uma sobretaxa de 55%. A medida foi criada para proteger o mercado interno chinês. O problema é que a cota foi atingida antes do esperado, o que está deixando todas as cadeias do setor apreensivas. Se a China reduzir as importações ou parar totalmente, isso terá efeito dos criadores de bois à mesa das pessoas. “O mais difícil é não ter clareza nem previsibilidade do que a China vai decidir”, observa Ingo Plöger, presidente da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).

Insegurança nos frigoríficos

Enquanto aguardam uma resposta, frigoríficos começam a dar férias coletivas. Para pecuaristas, em muitos casos, é melhor vender a carne que seria exportada para a China do que bancar as despesas para engordar o boi (equipe, alimentação). A carne vendida à China tem características específicas, como o corte. Isso torna mais difícil redirecionar a produção para outros mercados. Ou seja, se a “picanha” ficar mais barata aqui, é ponto a favor dos consumidores a curto prazo. A médio e longo prazo, porém, são demissões, menos investimentos e insegurança aos empresários do agronegócio. 

Trabalhadores em frigorífico para exportação de carnes do Brasil | Foto: Shutterstock

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Queda de 30%

O grupo Ânima Educação anunciou a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões, sendo que destes, R$ 240 milhões serão pagos à vista. O montante total, entretanto, pode chegar a R$ 560 milhões, pois a Ânima assumirá também as dívidas da FMU, que está em recuperação judicial. O mercado financeiro reagiu negativamente, o que levou as ações da Ânima a recuarem mais de 30% na tarde de terça-feira, 14. Bancos como o BTG Pactual rebaixaram a recomendação das ações, afirmando que a transação saiu cara. A FMU tem cerca de 51 mil alunos em seis campi em São Paulo, além de mais de 200 polos de ensino à distância.

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Companhias de luz

Na contramão da leva de recuperações judiciais, a Light, empresa de energia que opera majoritariamente no Estado do Rio de Janeiro, protocolou um pedido de encerramento da sua concordata. A companhia diz que cumpriu todas as principais obrigações previstas no plano homologado pela Justiça do Rio. No mesmo Fato Relevante, a Light informou que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, o que demonstra fôlego financeiro para se reestruturar.

Trabalhador com uniforme da Light | Foto: Divulgação

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Janja em números

A primeira-dama do Brasil tem uma equipe de 12 pessoas à sua disposição. Um custo médio estimado de R$ 160 mil por mês — com esse valor dá para pagar cerca de 31 professores da rede pública. Mesmo com tantas pessoas ao seu redor, nenhuma conseguiu evitar o incômodo internacional de Janja ao xingar o empresário Elon Musk em um evento produzido por ela. Realizado no Rio de Janeiro, em 2024, o Festival Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza — o “Janjapalooza” — recebeu aporte de mais de R$ 83 milhões de estatais e nunca ficou clara a contribuição prática contra a fome e a pobreza. O Tribunal de Contas da União começou a investigar, mas o assunto se esvaneceu. 

Misoginia ou censura?

Janja já foi para 38 países como primeira-dama, mais do que seu marido, Lula. Entre hotéis luxuosos e passeios, permanece o mistério do seu trabalho. Sem resposta, ela tenta tirar o foco da prestação de contas e jogar acusações às pessoas: quem a questiona ou a chama de gastadeira é misógino. O termo quer dizer aversão, ódio ou preconceito por alguém ser mulher. Ela é uma das principais defensoras da criação de uma lei que compara a misoginia ao racismo. Mas aí surge outra dúvida sobre sua infindável contribuição: usar o gênero como pretexto para impedir opiniões contra alguém não é mais um tipo de censura?

Viagem da primeira-dama Janja a Paris, capital da França
Viagem da primeira-dama Janja a Paris, capital da França | Foto: Reprodução/Instagram

Dica da semana, por Dagomir Marquezi:

Nuremberg, na Amazon
“O longa se passa logo depois do fim da Segunda Guerra, quando dirigentes do regime nazista foram levados a julgamento por um tribunal internacional. Russell Crowe dá um show como o marechal Hermann Göring, um monstro que revela charme e inteligência. Rami Malek interpreta o psiquiatra encarregado de fazer a avaliação psicológica dos prisioneiros. Grande produção dirigida (e co-escrita) por James Vanderbilt sobre um episódio da História que não pode ser esquecido.”

Leia também “Todos perdem com o tarifaço”

1 comentário
  1. Lauro Vitor Patzer
    Lauro Vitor Patzer

    Destaco no artigo os gastos irresponsáveis da consorte do “tirado da cadeia”. Além do uso abusivo do dinheiro do trabalhador brasileiro, ela cria narrativas como usar a misoginia em defesa de si. Isso tem um nome, perversão. Caberia defini-la como a “perdulária perversa”. Acho que este é o verdadeiro perfil da gastadora compulsória.

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