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Durante visita ao Brasil, o presidente argentino Javier Milei chamou Lula de ladrão e corrupto, provocando uma resposta evasiva do brasileiro. Milei, que tem ganhado prestígio internacional por suas críticas ao socialismo e suas reformas econômicas que resultaram em superávit e queda da inflação na Argentina, alertou os brasileiros sobre os riscos de seguir políticas fiscais irresponsáveis.
“Quem é esse cara?”, tentou sorrir Lula, afastando-se às pressas dos repórteres que queriam saber o que ele tinha a dizer em resposta ao presidente argentino, Javier Milei, que o chamara de ladrão e corrupto durante visita ao Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Dois dias haviam se passado desde que Milei incendiara a convenção do Partido Liberal (PL), no sábado, 25 de julho, mas Lula ainda cambaleava depois de levar um cruzado de direita. À falta do que dizer ante qualificativos como “presidiário” e “lixo socialista”, evadiu-se do ringue com uma ironia. “Quem é esse cara?”, despistou.
Em um mundo carente de líderes, Javier Milei é o cara. É um dos raros chefes de Estado que projetam sua voz com uma amplitude desproporcionalmente maior que o peso do seu país no tabuleiro geopolítico. A contundência de suas críticas ao socialismo e o resultado das ações que tomou para tirar a economia argentina de um coma econômico o conduziram ao pódio dos rankings de prestígio e influência de publicações como Time, The Economist e The Telegraph, no ano passado. No Fórum Econômico Mundial, que reúne os poderosos e os bacanas nos Alpes suíços, a pergunta de Lula soa como despeito. As conferências de Milei, misto de aula magna sobre liberdade econômica e avacalhação do que chama de “mierda socialista”, prenderam a atenção da plateia nas três últimas edições do encontro em Davos.

Em resumo, o mundo sabe quem é Milei e o leva a sério. Porque, apesar dos cabelos desgrenhados, as ideias que professa têm a concatenação e a elegância do que ele define como “verdades autoevidentes”. E sua passagem pelo governo argentino mostra que, de fato, funcionam. O tesouraço que prometeu fazer, e de fato fez, nos gastos de uma máquina pública inchada e corrompida produziu o primeiro superávit dos últimos 16 anos, conquista que só foi possível mediante um ajuste nas contas públicas equivalente a espantosos 5% do PIB — em matéria econômica, isso é um cavalo-de-pau, uma enormidade pouco crível, ainda mais no espaço exíguo de um mandato que ainda não se completou. Mas Milei conseguiu.
E, ao colocar um freio na gastança perdulária, financiada inclusive com emissão de dinheiro pelo Banco Central, retirou a fonte de alimentação da carestia. A inflação despencou da estratosfera. Em dezembro de 2023, passava de 25% — ao mês, bem entendido. Atualmente, o índice mensal de inflação está contido em 1,9%. Ainda muito alto, mas suportável em vista daquele caos hiperinflacionário que Milei herdou dos governos kirchneristas. Se o governo Lula alcançasse tamanho êxito para deter a depreciação do poder aquisitivo dos brasileiros, as redes sociais não estariam registrando o fenômeno da multiplicação dos vídeos populares de enredo muito simples: um carrinho de compras modesto, uma nota fiscal que consome meio salário mínimo e, de quebra, o demonstrativo dos salgados impostos que o freguês deixou para o governo em uma frugal incursão ao supermercado.
O discurso de Javier Milei ao público que lotou o Centro de Convenções do Pacaembu expôs a quase tragédia argentina como um alerta aos brasileiros que comparecerão às urnas em outubro. “Quando chegamos ao poder”, lembrou, “nosso país se dirigia a uma nova hiperinflação, a terceira de sua história. Os argentinos haviam-se deixado encantar pelo canto de sereia do socialismo do século 21. Haviam-nos feito acreditar, à força de propaganda, que o déficit fiscal não importava ou que era inclusive benéfico; que as infinitas regulamentações existem para nos proteger; que o Estado poderia substituir o espírito empreendedor de todo um país; que a riqueza podia ser distribuída antes de ser criada”.

“Todas essas falsas promessas”, advertiu Milei, “terminaram da mesma forma: com mais pobreza, mais déficit fiscal, mais inflação e um sem-fim de leis e regulamentações que complicam a vida de milhões”.
Milei parecia estar descrevendo o Brasil que seu aliado Flávio Bolsonaro poderá receber, em 5 de janeiro de 2027, e o tamanho da reengenharia a ser feita. Enquanto o argentino cortou ou reduziu mais de 20 impostos, Lula seguia o caminho inverso, assinando mais de 30 medidas que criaram tributos, aumentaram alíquotas ou reoneraram produtos — combustíveis, por exemplo. Apesar do frenesi arrecadatório que inspirou memes críticos sobre temas como taxa das blusinhas e tributação das apostas, o governo Lula chega ao fim com déficits sucessivos que, no acúmulo até junho, empurram a dívida bruta para R$ 10,8 trilhões, o equivalente a quase 82% do PIB. É o retrato da irresponsabilidade. Quando Jair Bolsonaro deixou a presidência, a dívida bruta do governo era de R$ 7,2 trilhões, ou 71,7% do PIB.
A comparação é ainda mais desfavorável para Lula quando se tem em conta que, em 2022, Bolsonaro entregou o governo com um caixa positivo de R$ 54 bilhões, primeiro superávit primário brasileiro desde 2013. Em três anos e meio, o governo petista queimou a gordura e já acumula um déficit de R$ 350 bilhões. “É preciso afiar a tesoura para cortar o roubo de todos os delinquentes socialistas”, conclamou Milei. “Não deixem roubar seu futuro pelas mãos de socialistas ladrões.” Referindo-se ao kirchnerismo, que chamou de “versão argentina do presidiário”, em provocação a Lula, Milei contou que a Argentina enfrentou uma explosão desenfreada de gastos públicos irresponsáveis. “Na hora de tentar se manter no poder ou recuperar privilégios perdidos, [eles] realmente não conhecem limites.”

É bom que Flávio e os brasileiros estejam preparados para o que virá, a se tomar o prognóstico de Milei. “Hoje, o Brasil caminha para uma crise de dívida, derivada do fato de que Lula não fez o ajuste fiscal que a situação demandava e agora a está piorando para ter chances de ganhar.”
Lula chamou a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, cobrou explicações do embaixador argentino no Brasil, rebaixou a diplomacia com o país de Milei ao nível de “negócios”, estritamente, e mais não fez porque não pode fazer o que gostaria: dar respostas convincentes. Escalou um ministro jovem e sedento de protagonismo, Dario Durigan, da Fazenda, para chamar o presidente argentino de palhaço. E tudo ficou nisso. Quem questionou Milei, cara a cara, foi a imprensa argentina, e Milei manteve todas as suas afirmações. Sustentou que Lula é ladrão e corrupto e que jamais foi inocentado — apenas se livrou da cadeia por uma questão procedimental. Sobre a rudeza de suas palavras, manteve a convicção de que chamar a um ladrão de ladrão é mais leve do que o ato de roubar, em si.
Também não retirou uma palavra do trecho de seu discurso em que manifestou desprezo pela atuação do ministro Alexandre de Moraes, que rejeitou seu pedido de visita a Jair Bolsonaro. “Para piorar, o lixo careca não me permitiu visitar meu amigo, injustamente preso… Quando sei que Lula cansou de receber dirigentes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández. Isso não é mais do que uma clara amostra da injustiça da detenção e de seu claro caráter vingativo.”
À parte o histrionismo de Milei, que em vários momentos se portou no palco da Arena Pacaembu como um rock star, os brasileiros deveriam ler a íntegra do seu discurso com a atenção que plateias pelo mundo têm dedicado a um dos poucos estadistas da atualidade. Quem ler, verá que a bofetada verbal de Milei não é dirigida especificamente a Lula ou a Moraes, mas a todos os rostos da cleptocracia brasileira.
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Milei disse tudo. Parabens pelo artigo.
Excelente! Senti falta do link para o discurso do Milei. Mas eu acho, xacomigo.
Excelente artigo de Eugênio Esber,falar de Milei é falar de liberdade, novos horizontes econômicos e resgatar os valores morais que deve conduzir um país que viveu décadas de regimes corruptos de esquerda. Milei é sim uma luz na América Latina e assim será também com o Brasil se em outubro fizermos o ponto de virada para extirparmos de vez o PT. O governo de Milei mostrou que a Democracia e a liberdade abre horizontes.
Excelente artigo, Esber. Brilhante!