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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 334

Os bilhões da corrupção

Do Mensalão ao Master, escândalos ligados a Lula, ao PT e a seus aliados atravessam duas décadas e envolvem cifras estratosféricas

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Desde que Lula da Silva e seus aliados assumiram o poder, o Brasil enfrenta escândalos de corrupção, com destaque para 2025, quando surgiram os casos do Banco Master e do INSS, envolvendo Lulinha e Freio Chico, filho e irmão do presidente. Um levantamento aponta que Lula e o PT estiveram envolvidos em seis grandes escândalos que totalizam quase R$ 116 bilhões em desvios e propinas desde o início do século.

Desde o início do século, sempre que Luiz Inácio Lula da Silva ou seus aliados chegam ao poder, o país se prepara para o surgimento de novos casos de corrupção. O ano de 2025 produziu dois exemplares tenebrosos. Os brasileiros ainda tentavam assimilar a roubalheira bilionária do INSS — com suspeitas envolvendo um filho e um irmão de Lula —, quando Daniel Vorcaro roubou a cena com o caso Master, o maior escândalo financeiro da história, parido nas fileiras do PT baiano e com potencial para abalar os Três Poderes da República.

Picaretagens do gênero ocorrem desde que o mundo é mundo. Mas a alta cúpula do PT elevou a corrupção à categoria de arte. Um levantamento feito por Oeste concluiu que apenas os seis maiores escândalos envolveram quase R$ 116 bilhões. O valor estratosférico engloba propinas, desvios e outras traquinagens.

Para dimensionar o tamanho da cifra, R$ 116 bilhões seriam suficientes para construir 58 mil unidades básicas de saúde ou 10,5 mil escolas de tempo integral. O montante também bancaria mais de dez anos de investimentos em conservação e recuperação de rodovias, considerando o valor aplicado pelo Dnit em 2025. 

Antes mesmo de assumir o poder, a sigla já estava envolvida em um grande escândalo. O partido apareceu como coadjuvante no caso do Banestado. Entre 1999 e 2001, sob a presidência de José Dirceu, o Diretório Nacional do PT retirou cerca de R$ 1 milhão por meio de um contrato de empréstimo rotativo com o banco. Assim que Lula chegou à Presidência, em 2003, o Palácio do Planalto atuou contra a criação da CPI do Banestado. Relator da comissão, o petista José Mentor tentou impedir a votação do relatório final. A CPI terminou sem aprovar uma conclusão.

Dois anos depois de assumir seu primeiro mandato, Lula obteve um escândalo para chamar de seu. O PT assumiu o protagonismo do — até ali — maior escândalo de corrupção do Brasil: o Mensalão. O então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou um esquema de pagamentos a parlamentares da base aliada para garantir a aprovação de projetos de interesse do governo na Câmara.

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O ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Jefferson apontou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, como articulador político do esquema, operacionalizado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pelo presidente da sigla, José Genoino, e pelo publicitário Marcos Valério. O dinheiro vinha do desvio de verbas publicitárias de estatais e órgãos públicos, além de empréstimos simulados ou não quitados junto aos bancos Rural e BMG. Sacados em espécie por intermediários, os recursos eram distribuídos aos congressistas em parcelas mensais de cerca de R$ 30 mil.

Perícias da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União anexadas à Ação Penal 470 comprovaram o desvio de pelo menos R$ 101 milhões. Desse total, R$ 39 milhões saíram diretamente do Fundo Visanet, do Banco do Brasil, e foram captados pela agência DNA, de Marcos Valério.

O escândalo inaugurou um padrão consistente de desvio de dinheiro público, envolvimento em esquemas criminosos e tentativas de subverter o sistema judiciário para proteger os envolvidos — prática que se repete até hoje.

Os esquemas dos companheiros

A farra do Mensalão teve grande repercussão e resultou em mais de R$ 25 milhões em multas a pelo menos 11 envolvidos. Como o STF condicionou a progressão de regime e a concessão de indulto ao pagamento integral das penalidades, José Genoino, Delúbio Soares, José Dirceu e João Paulo Cunha organizaram “vaquinhas” virtuais financiadas por militantes e quitaram seus débitos. Mesmo assim, acabaram presos. Hoje, estão todos em liberdade.

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, depois de deixar a Papuda, em Brasília, beneficiado por uma decisão do STF (26/06/2018) | Foto: Divulgação/Agência Brasil

As multas dos réus insolventes, entre eles operadores financeiros, foram inscritas na Dívida Ativa da União. A AGU anunciou medidas como sequestro, penhora e bloqueio de bens, mas as ações enfrentaram entraves. A recuperação ficou restrita principalmente às multas pagas, que, somadas, não chegaram a R$ 30 milhões.

As primeiras irregularidades nos fundos de pensão de estatais surgiram na CPMI dos Correios, em 2005, que revelou o loteamento de cargos na Previ, Petros, Funcef e Postalis por indicações do PT e de aliados. O esquema levou à Operação Greenfield, deflagrada em 2016.

Segundo as investigações, dirigentes autorizaram aportes bilionários e irregulares em fundos de alto risco destinados a projetos de empreiteiras como OAS e Odebrecht e a empresas de fachada. Um dos maiores prejuízos veio da Sete Brasil, que recebeu bilhões de reais para construir sondas do pré-sal e acabou liquidada em meio a perdas e propinas. O prejuízo inicial foi estimado em R$ 8 bilhões, dos quais R$ 5,5 bilhões ligados à empresa. Em 189 inquéritos e ações, o dano potencial chegou a R$ 54 bilhões, enquanto mais de R$ 12 bilhões foram ressarcidos, bloqueados ou preservados.

No Rio de Janeiro, a aliança “Rio-Brasília”, entre Sérgio Cabral e Lula, garantiu grandes aportes federais para obras do PAC, do Comperj, do Maracanã e de eventos esportivos realizados entre 2007 e 2016. Parte desses contratos, porém, alimentou o esquema revelado pela Operação Calicute.

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O ex-governador Sérgio Cabral nos tempos em que teve de encarar a prisão | Foto: Reprodução/Agência Brasil

O então governador chefiava uma organização instalada no governo fluminense que cobrava de empreiteiras propina de 5% sobre grandes obras — a chamada “taxa de oxigênio”. O dinheiro era lavado por meio de joalherias, contratos fictícios e contas clandestinas no exterior. O grupo movimentou mais de R$ 520 milhões em propinas, enquanto as fraudes provocaram prejuízos bilionários aos cofres públicos — incluindo R$ 2,3 bilhões em superfaturamento apenas nas obras da Linha 4 do Metrô. Cabral acumulou 24 condenações, com penas que somavam mais de 400 anos de prisão. Algumas foram posteriormente anuladas ou extintas. 

O maior escândalo, porém, ainda estava por vir. Deflagrada em 2014, a Lava Jato revelou um esquema bilionário na Petrobras. Grandes empreiteiras formaram um cartel para fraudar licitações e obter contratos superfaturados, pagando propinas a diretores da estatal, operadores e partidos, principalmente PT, MDB e PP.

As delações associaram José Dirceu e Lula ao recebimento de vantagens indevidas. Lula foi condenado em três instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia e passou 580 dias preso. As condenações foram anuladas pelo STF não porque Lula foi considerado inocente, mas porque a Corte declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba e a suspeição de Sergio Moro, sem analisar o mérito das acusações.

A Petrobras reconheceu perdas de R$ 6,2 bilhões relacionadas ao pagamento de propinas. Peritos da Polícia Federal, contudo, estimaram que o prejuízo total provocado pelo esquema poderia chegar a R$ 42,8 bilhões. A Lava Jato recuperou mais de R$ 20 bilhões por meio de acordos, delações e repatriações, dos quais R$ 6,2 bilhões retornaram diretamente à estatal. Também bloqueou e repatriou R$ 400 milhões desviados pelo grupo de Sérgio Cabral.

De volta aos velhos hábitos

Conforme informações oficiais, as empresas de Lulinha têm atuação principal em suporte técnico, manutenção e outros serviços de tecnologia da informação | Foto: Reprodução/X
Conforme informações oficiais, as empresas de Lulinha têm atuação principal em suporte técnico, manutenção e outros serviços de tecnologia da informação | Foto: Reprodução/X

Duas décadas depois do Mensalão, o terceiro governo Lula foi atingido por outro grande escândalo. Em abril de 2025, a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, revelou cobranças associativas não autorizadas nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Entidades conveniadas incluíam segurados em seus quadros sem consentimento, muitas vezes durante a contratação de empréstimos consignados. Segundo a CGU, mais de 70% das cobranças não tinham documentação válida. Entre 2019 e 2025, R$ 6,3 bilhões foram descontados.

Uma das entidades investigadas é o Sindnapi, cuja arrecadação saltou de R$ 20 milhões para mais de R$ 150 milhões anuais. Seu vice-presidente é Frei Chico, irmão de Lula. Na CPMI do INSS, a base governista barrou sua convocação por 19 votos a 11.

A investigação também alcançou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, fizeram cinco pagamentos de R$ 300 mil à consultoria de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A PF apura se ela intermediou o repasse de R$ 1,5 milhão ao filho de Lula.

Mensagens apreendidas citavam pagamentos ao “filho do rapaz”, apontado pelos investigadores como Lulinha. A PF também apura se ele atuou para “abrir portas” no governo e favorecer a World Cannabis, ligada ao Careca do INSS, no Ministério da Saúde. Lulinha nega ter recebido dinheiro ou negociado com os investigados. Luchsinger admitiu prestar consultoria ao operador, mas negou os repasses.

O escândalo do Banco Master, por sua vez, aproximou as suspeitas do núcleo político de Brasília. Liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, a instituição de Daniel Vorcaro acumulava R$ 85 bilhões em ativos e deixou um rombo estimado em mais de R$ 40 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos. Também é investigada a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos e títulos suspeitos ao Banco de Brasília.

O Master cresceu oferecendo CDBs com rendimentos de até 140% do CDI e usando a cobertura do FGC como chamariz. Os recursos financiavam créditos de baixa qualidade, precatórios duvidosos e fundos opacos. O Rioprevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão no banco sem proteção integral do fundo garantidor.

pf Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Master
Daniel Bueno Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, hoje preso em Brasília | Foto: Divulgação/Banco Master

Vorcaro cercou-se de figuras influentes e foi recebido por Lula quatro vezes, fora da agenda oficial, entre 2023 e 2024. Guido Mantega recebeu R$ 14 milhões em consultorias e intermediou contatos com o governo; Henrique Meirelles, R$ 18,4 milhões; e o escritório de Ricardo Lewandowski, entre R$ 5 milhões e R$ 6,1 milhões, antes de ele assumir o Ministério da Justiça. A PF identificou ainda 74 contatos entre Jaques Wagner e ex-sócios do banco. O escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes firmou contratos que poderiam alcançar R$ 129 milhões.

Ao longo dos últimos 30 anos, os esquemas ganharam novos nomes e parte dos personagens foi substituída. Um elemento, porém, atravessou todos esses casos: Lula e o PT. A engrenagem também permaneceu a mesma, movida pela influência política, por interesses privados e pelo dinheiro público. No Brasil, os escândalos mudam — mas o núcleo de poder em torno do qual eles surgem continua o mesmo. 

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5 comentários
  1. Regina Maria Falcão Rangel Vila
    Regina Maria Falcão Rangel Vila

    Eu e milhares de aposentados da Caixa Econômica Federal estamos há 10 anos, e vamos continuar ainda por muitos anos, equacionando o deficit bilionário que os governos petista causaram à FUNCEF.

  2. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    Enquanto existir ESSE STF e a famigerada urna sem comprovante de voto, a ALIANÇA Mula +stf, continuará mandando e dominando! Somos COVARDES DEMAIS!

  3. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Lula sempre usa o Brasil para roubar,gastos exorbitantes, rombo financeiro, extorsão de aposentadorias e etc…Nunca devolveu o que roubou.Vamos ver se em outubro ,se nosso voto valer,será derrotado nas urnas.

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