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Operação mira esquema com falsas plataformas de investimento

Polícia Civil cumpre 26 mandados em 3 Estados e investiga fraude que teria causado prejuízo de R$ 37 milhões a uma vítima

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A suspeita teve a prisão preventiva cumprida em Pindamonhangaba | Foto: Divulgação/Governo de SP

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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul iniciou, em 13 de agosto de 2026, a Operação Criptoabate contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento e lavar dinheiro. A operação cumpre 26 mandados judiciais em três estados, resultando na prisão de duas pessoas até o momento. A investigação começou depois de uma denúncia de uma vítima que perdeu mais de R$ 37 milhões e revelou pelo menos 140 potenciais vítimas.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quinta-feira, 13, a Operação Criptoabate contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento e lavar dinheiro obtido com as fraudes. A ação cumpre dez mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. Até o momento, duas pessoas foram presas.

Entre os alvos das prisões estão três donos de instituições financeiras, dois estrangeiros — um deles também proprietário de uma instituição financeira — e uma gerente de uma instituição tradicional. Segundo as investigações, a profissional teria facilitado a abertura de contas utilizadas pelo grupo para pulverizar os valores transferidos pelas vítimas.

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A Justiça também impôs medidas cautelares a oito investigados, incluindo restrições de contato e deslocamento, recolhimento domiciliar e suspensão de atividades financeiras. Os alvos estão proibidos ainda de realizar operações bancárias, financeiras ou que envolvam criptoativos.

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Ação é coordenada pelo Departamento de Polícia de Repressão aos Crimes de Polícia Especializada e pelo Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos | Foto: Reprodução/Divulgação/Polícia Civil Rio Grande do Sul

Golpe criava falsa expectativa de lucro

Segundo as autoridades, o esquema é conhecido como “golpe do abate de porcos”, modalidade em que os criminosos estabelecem uma relação de confiança com as vítimas antes de induzi-las a aumentar gradualmente os aportes. A estratégia busca diferenciar-se dos golpes convencionais, nos quais a fraude costuma ocorrer de maneira mais imediata.

Para dar credibilidade ao esquema, os investigados apresentavam análises de mercado com supostos resultados positivos e colocavam as vítimas em contato com falsos especialistas. A investigação aponta uma divisão de tarefas que envolvia desde a captação até o convencimento dos investidores e o bloqueio dos recursos.

A denúncia que deu origem à investigação partiu de uma vítima que perdeu mais de R$ 37 milhões, segundo a emissora CNN. Ela teria sido incluída em um grupo de mensagens apresentado como uma comunidade de estudos sobre o mercado financeiro, com supostos assistentes e participantes que transmitiam segurança aos integrantes.

Pessoa analisando gráfico de mercado financeiro em monitor enquanto usa calculadora para investimentos
Esquema apresentava análises de mercado com supostos resultados positivos e colocavam as vítimas em contato com falsos especialistas | Foto: Canva Pro/Divulgação

Quando tentou retirar os recursos, a vítima teve os saques bloqueados. Em seguida, passou a ser informada de que precisaria pagar supostas taxas e impostos para liberar o patrimônio. Segundo a Polícia Civil, ao menos 140 potenciais vítimas foram expostas à mesma dinâmica.

Grupo movimentou mais de R$ 30 bilhões

A organização também utilizava “laranjas” para abrir empresas e contas bancárias. De acordo com as apurações, essas pessoas forneciam dados pessoais para formalizar negócios e disponibilizavam aparelhos, senhas e credenciais usados na movimentação dos valores.

Com isso, grandes quantias circulavam por empresas registradas formalmente em nome de pessoas que, segundo a investigação, não necessariamente participavam da operação criminosa. Uma das linhas de apuração examina a eventual participação de funcionários de instituições financeiras na abertura e na manutenção das contas.

Uma profissional do setor já é investigada por supostos acessos internos compatíveis com aqueles utilizados pelo grupo. No caso da vítima que perdeu R$ 37 milhões, 24 das 25 empresas para as quais ela realizou aportes mantinham contas em uma mesma instituição financeira.

Homem de terno segurando carrinho de compras em cima de uma grande pilha de moedas de ouro simbolizando riqueza, investimentos e acúmulo de dinheiro.
Uma única empresa envolvida no esquema movimentou cerca de R$ 295 milhões em apenas um dia | Foto: Reprodução

Os investigadores também encontraram movimentações incompatíveis com o patrimônio declarado de algumas empresas. Uma delas chegou a movimentar cerca de R$ 295 milhões em apenas um dia.

No conjunto das contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, foram registrados mais de R$ 30 bilhões em movimentações. A Polícia Civil identificou ainda circulação rápida de recursos e fracionamento das operações, além do uso de criptoativos para movimentação e ocultação de valores.

A operação é realizada pelas Polícias Civis dos três Estados envolvidos. A ação é coordenada pelo Departamento de Polícia de Repressão aos Crimes de Polícia Especializada e pelo Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos. Em São Paulo, a ação conta com apoio da Divisão de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil paulista.

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