O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta quarta-feira, 10, um pacote de dez projetos de lei com foco no combate ao crime organizado.
As propostas buscam atingir a estrutura financeira de facções criminosas e milícias por meio do endurecimento das regras contra lavagem de dinheiro, da ampliação dos mecanismos de rastreamento patrimonial e do fortalecimento dos instrumentos de investigação.
Receba nossas atualizações
As medidas têm como base o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, da qual Vieira foi relator, e recomendações do estudo “Novas Medidas Contra a Corrupção”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas em parceria com a Transparência Internacional.
Segundo Vieira, as organizações criminosas passaram a utilizar estruturas cada vez mais sofisticadas para esconder patrimônio e movimentar recursos ilícitos.
“O crime organizado utiliza mecanismos cada vez mais sofisticados para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e dificultar a atuação dos órgãos de controle”, afirmou o senador sergipano. “Precisamos fortalecer a transparência, ampliar a capacidade de rastreamento de ativos e aperfeiçoar instrumentos essenciais para o enfrentamento da criminalidade organizada.”
O pacote concentra esforços em áreas consideradas estratégicas para as facções, como a lavagem de dinheiro, a ocultação de bens e a infiltração de recursos ilegais em atividades econômicas formais.

Vieira propõe penas mais duras e bloqueio de bens
Uma das propostas aumenta as penas previstas na Lei de Lavagem de Dinheiro. Atualmente, a punição varia de três a dez anos de prisão. Pelo texto apresentado por Vieira, a pena passaria para cinco a 15 anos. Nos casos que envolvam integrantes de facções criminosas, milícias ou grupos paramilitares, a punição poderá chegar a 30 anos de reclusão.
O senador também propõe a criação do bloqueio cautelar emergencial de ativos financeiros. A medida permitirá que delegados e integrantes do Ministério Público determinem o congelamento temporário de recursos suspeitos por até cinco dias, com posterior análise do Poder Judiciário.
Outra mudança amplia as obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro. Advogados e consultores jurídicos passariam a comunicar operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), observadas as regras específicas de cada profissão.
Monitoramento patrimonial e rastreamento financeiro
O pacote de Alessandro Vieira também prevê mudanças para ampliar a capacidade do Estado de recuperar patrimônio obtido de forma ilícita. Entre as propostas está a criação de mecanismos mais rígidos para bloqueio e sequestro de bens, incluindo ativos digitais, fundos de investimento, participações societárias e patrimônio mantido no exterior.
Outro projeto cria o Sistema Eletrônico de Registro de Bens e Valores, que tornará obrigatória a declaração eletrônica de patrimônio por agentes públicos dos Três Poderes. A ferramenta permitirá o cruzamento de dados e o acompanhamento da evolução patrimonial dos declarantes.
As medidas incluem ainda auditorias patrimoniais anuais conduzidas pelo Tribunal de Contas da União e autorização para que a Controladoria-Geral da União utilize dados financeiros e fiscais de servidores federais em ações de monitoramento patrimonial.
O pacote também obriga fundos de investimento a identificarem seus beneficiários finais e cria um cadastro nacional de cessões de precatórios e créditos judiciais. O objetivo é dificultar o uso dessas estruturas para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Saiba mais:
Vieira sugere mudanças no sistema de Justiça
As propostas alcançam ainda o funcionamento do sistema de Justiça. Um dos projetos retoma regras de impedimento para magistrados julgarem processos que envolvam clientes de escritórios de advocacia pertencentes a cônjuges ou parentes próximos. O texto amplia as hipóteses de impedimento judicial em situações que possam comprometer a imparcialidade das decisões.
Além disso, Vieira propõe o fortalecimento da cooperação entre órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal, Banco Central e Coaf, além da inclusão entre os crimes hediondos de delitos graves praticados por integrantes de facções criminosas, milícias e grupos paramilitares.
“As organizações criminosas evoluíram e passaram a operar por meio de estruturas financeiras complexas, utilizando mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro cada vez mais sofisticados”, destacou Alessandro Viera. “O Estado precisa ter capacidade de acompanhar essa evolução e fechar brechas que hoje favorecem a impunidade.”
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
CPI do Crime Organizado pede atuação estatal contínua em favelas do RJ
CPI do Crime Organizado pede intervenção federal no RJ
Depois de manobra de governo e pressão do STF, relatório da CPI do Crime Organizado é rejeitado
Pacote a essas alturas ,véspera de eleição? So será votada após
a eleição do Presidente do Senado.