Márcio França (PSB), candidato a vice de Fernando Haddad (PT) pelo governo de São Paulo, defendeu Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. França declarou que Marcola é “extremamente idônio e humilde”. A fala do socialista ocorreu durante reunião na sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), no centro da capital paulista. O evento foi realizado na manhã desta quarta-feira, 19.
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Uma mensagem encontrada pela Polícia Federal (PF) liga Marcola a uma tentativa de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enviou o documento que previa a contratação por dispensa de licitação.
“Posso garantir que Marcola é uma pessoa extremamente idônea e hipersimples, humilde”, disse Márcio França. “Seria impossível, nas condições em que ele vive, ter qualquer tipo de condição financeira diferente. São opções de vida. É comum ter profissionais que fazem lobby para todas as coisas possíveis, é legalizado. Eles se aproximam de pessoas que têm influência.”
No entanto, França não mencionou que, de acordo com a PF, Roberta Luchsinger comprou duas joias para Marcola. O colunista Lauro Jardim, de O Globo, divulgou a informação no domingo 16.
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Os candidatos ao governo de São Paulo e representantes das chapas que disputam as eleições de 2026 participaram de reunião com o presidente do TRE-SP, desembargador José Antonio Encinas Manfré. O encontro teve como objetivo tratar de temas relacionados ao processo eleitoral e apresentar o “Compromisso pela Democracia”.
A iniciativa do tribunal busca reduzir os efeitos do que classifica como disseminação de desinformação contra a democracia e a Justiça Eleitoral. Participaram presencialmente Tarcísio de Freitas (Republicanos), Márcio França (PSB), vice na chapa de Fernando Haddad (PT), Vivian Mendes (UP), Edjane Lima (Agir) e uma representante de Fabiana Medrado (PCB).
A vice da chapa do PSTU, Renata França, não assinou o documento e entregou uma carta ao presidente do TRE-SP com as razões de sua decisão.
Lobista que trocou mensagens com Marcola recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS
Na época da mensagem trocada entre Marcola e Roberta, a empresária buscava negócios com o Ministério da Saúde. O contrato não avançou. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas não informou se o encaminhou dentro do governo.
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Roberta também virou alvo de investigação por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de participar de um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, Roberta recebeu R$ 1,5 milhão dele em cinco parcelas de R$ 300 mil.
As mensagens fazem parte de uma das investigações que envolvem Roberta e Lulinha no Supremo Tribunal Federal. O filho do presidente é alvo de três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência.

Segundo a PF, Roberta e Lulinha conversavam sobre negócios e contatos dentro do governo. Em uma mensagem de março de 2024, a empresária escreveu que os dois trabalhavam em “outro nível” e que o futuro seria a Suíça. Lulinha também relatou ter participado de reuniões com Marcola e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
A investigação registra ainda repasses financeiros de Roberta para Marcola, incluindo o pagamento de uma joia de R$ 9,2 mil. Segundo o ex-chefe de gabinete, os valores recebidos chegaram a R$ 217 mil, e o pagamento atingiu R$ 249 mil, com correção.
Marcola nega irregularidades. A defesa de Lulinha afirmou que pretende se manifestar no processo depois de ter acesso integral aos dados obtidos pela PF. O Ministério da Saúde informou que “nunca houve possibilidade de compra de canabidiol”, pois o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde.
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