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Política

CNJ abre processo contra desembargador do TJ-SP por suspeita de intimidação

Órgão aponta indícios de infração disciplinar; magistrado nega acusações e fala em 'conspiração'

marco buzzi; Sessão no CNJ
Sessão no CNJ | Foto: Flickr/CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou processo disciplinar para apurar suspeitas de que o desembargador Carlos Henrique Abrão, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), tenha ofendido e intimidado pessoas com as quais mantinha relações comerciais.

A relatora do caso, desembargadora Jaceguara Dantas da Silva, do TJ de Mato Grosso do Sul, afirmou haver “indícios suficientes de infrações disciplinares na defesa de interesses privados”.

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A pedido do Ministério Público Federal, ela requisitou a ficha funcional do magistrado, com informações sobre eventuais processos cíveis, criminais ou administrativos, em curso ou arquivados, nos quais figure como réu. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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Fachada do Ministério Público Federal (MPF) na região da Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

Abrão sustenta que o procedimento tramita sob sigilo e classifica a investigação como perseguição. “Há mais uma conspiração para nos tirar da carreira”, declarou. Segundo ele, “a sindicância há muito fora arquivada e reaberta, sem prova nova. Deveria durar 60 dias e durou mais de ano e meio”. O desembargador também afirmou que “o STF vai anular tudo”.

O magistrado já havia sido afastado de suas funções por 180 dias, em decisão unânime do CNJ, em março. Ele foi acusado de alterar atas de julgamento após a proclamação do resultado e o encerramento da sessão, em 2020, quando presidia a 14ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP.

O caso teve origem em informações levadas ao então presidente da Seção de Direito Privado, desembargador Dimas Rubens Fonseca, pelos magistrados Régis Rodrigues Bonvicino e Ligia Bisogni. Bonvicino, que morreu em julho de 2025, recusou-se a assinar acórdão modificado e relatou ter sofrido pressões.

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Palácio da Justiça de São Paulo | Foto: Divulgação/TJSP

O CNJ também anulou o arquivamento de dois processos disciplinares anteriores. O TJ-SP havia aplicado pena de censura, considerada inadequada pela relatora Daiane Nogueira de Lira, que apontou incompatibilidade entre a sanção e a gravidade dos fatos.

CNJ já rejeitou arquivamento de processo contra desembargador

Em maio de 2022, por 12 votos a 1, o CNJ rejeitou pedido de arquivamento de processo administrativo disciplinar instaurado contra Abrão. Na ocasião, o desembargador arguiu a suspeição do então relator, Mauro Pereira Martins, mas o pedido foi negado. Ele alegou que teve audiências recusadas “o que é incomum quando há fato novo”.

Martins, por sua vez, questionou a conduta processual de Abrão. “O requerente tem adotado comportamento vedado pelo CPC”, registrou, afirmando que o magistrado buscava rediscutir questões já decididas para atrasar o andamento do processo.

Conselheiros do Conselho Nacional de Justiça reunidos em sessão oficial do CNJ, com painel institucional ao fundo
O CNJ atua no controle e no aperfeiçoamento do Poder Judiciário | Foto: Agência Brasil/Divulgação.

Em meio à controvérsia, integrantes da 14ª Câmara manifestaram “apoio e solidariedade” ao colega, afirmando que ele “em momento algum extrapolou suas funções” e atribuindo o episódio a “mera desinteligência”.

Mais recentemente, Abrão informou ter recorrido à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para tentar reverter o afastamento. Ao comentar o caso, afirmou que “plantaram uma imputação de falsidade” com o objetivo de desmoralizá-lo, em “conluio com a mídia marrom”.

Os fatos vieram a público em 2021. À época, a defesa de veículos de imprensa sustentou que as informações divulgadas foram apuradas com base em dados oficiais. “A matéria foi publicada no exercício do direito e dever de informar, constitucionalmente assegurados”, afirmou a advogada Taís Borja Gasparian.

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