A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que haveria agentes da Polícia Federal (PF) que “fingem trabalhar” provocou reação negativa dentro da corporação, formada por delegados e outros servidores. Em nota pública, a Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que “não há qualquer fundamento para questionamentos generalizados” sobre a dedicação ou o desempenho dos profissionais.
Segundo a entidade, as falas do presidente “colocam em dúvida o comprometimento de delegados da Polícia Federal” ao sugerirem que servidores estariam “fingindo trabalhar”, além de “simplificar indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado”.
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Nesta quinta-feira, 23, Lula declarou ter orientado o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a convocar policiais federais que, segundo ele, estariam afastados de suas funções.

“Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da PF, para aqueles agentes ou delegados que estão em outro lugar fingindo que estão trabalhando. Todos vão ter que voltar, porque nós vamos combater o crime organizado aqui”, afirmou.
A ADPF destacou que, atualmente, 53 delegados estão cedidos a outros órgãos — menos de 3% do total em atividade. “Portanto, não se deve induzir a sociedade a acreditar que a anunciada medida de retorno será o que irá vencer o crime organizado”, rebateu.
Na conclusão, a associação sustentou que o enfrentamento ao crime organizado requer “menos propaganda e mais ações concretas”, com investimentos contínuos em pessoal e inteligência estratégica. “Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, concluiu a nota.

Lula criticou PF depois de expulsão de delegado dos EUA
As declarações de Lula ocorrem em meio a uma crise diplomática desencadeada depois da expulsão, pelos Estados Unidos, do delegado Marcelo Ivo, que representava o Brasil na Imigração e Alfândega dos EUA. Ele esteve envolvido no episódio que resultou na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Em retaliação, o Brasil retirou a credencial de um agente norte-americano que atuava na sede da PF, em Brasília. Tanto o delegado brasileiro quanto o agente dos EUA já retornaram a seus respectivos países.
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