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Política

Ex-deputado petista tenta impedir fiscalização de fundos de pensão de estatais

João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara condenado no Mensalão, representa associação de entidades de previdência complementar

O petista João Paulo Cunha ensaia candidatura em 2022 | Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, condenado por corrupção | Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

O ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT-SP), condenado a seis anos de prisão no escândalo de corrupção do Mensalão, tenta barrar a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre fundos de pensão de estatais.

Em parceria com Ophir Cavalcante, ex-presidente da OAB, Cunha representa a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) em órgãos públicos federais, inclusive no Judiciário. A informação é do Estadão.

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A Abrapp ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação na qual pede a inconstitucionalidade das fiscalizações do TCU nesses fundos. Se for julgada procedente, o TCU não poderá fiscalizar, por exemplo, a perda de R$ 14 bilhões no Plano 1 da Previ, que administra aposentadorias de funcionários do Banco do Brasil.

+ TCU autoriza auditoria ‘urgente’ na Previ, fundo do Banco do Brasil

O argumento da associação representada por Cunha e Cavalcante é que, embora parcialmente financiados por recursos públicos, os fundos de pensão são entidades de direito privado e, por isso, não deveriam ser fiscalizados como órgãos públicos. Além disso, afirma que a competência de fiscalização seria da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

A ação da Abrapp e os fundos de pensão

Se a ação da Abrapp for bem-sucedida, investigações relacionadas à Operação Greenfield, que apurou desvios em fundos de pensão para empreiteiras e empresas ligadas a gestões passadas, poderão ser anuladas.

A entidade argumenta que a atuação do TCU pode levar à duplicidade de esforços, gerando ineficiências e desperdícios. Além disso, diz que déficits como os da Previ são conjunturais e comuns em períodos de instabilidade econômica, mas não comprometem a sustentabilidade a longo prazo.

Previ é o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil | Foto: Reprodução/X
Previ é o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil | Foto: Reprodução/X

Os fundos de pensão ligados à Petrobras, ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e aos Correios administram cerca de R$ 510 bilhões em ativos. A Previ é o maior, com R$ 270 bilhões sob gestão. Metade do financiamento desses planos vem das estatais e o restante, das contribuições dos funcionários. Quando há prejuízos, é necessário um equacionamento, com contribuições extras das partes, impactando empresas e funcionários.

O ministro do TCU Walton Alencar, que ordenou a auditoria na Previ, destacou que o retorno sobre investimentos foi de apenas 1,58% no ano anterior. No STF, o relator da ação da Abrapp é o ministro Luiz Fux. O caso ainda não foi julgado.

Histórico de João Paulo Cunha

João Paulo Cunha presidiu a Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005. Reeleito para os dois mandatos seguintes, perdeu sua cadeira no Legislativo em 2013, depois de ser condenado a seis anos e quatro meses de prisão por peculato e corrupção passiva no caso do Mensalão, esquema de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula em troca de apoio no Congresso.

Cumpriu dois anos da pena, parte na penitenciária da Papuda, em Brasília, e parte em regime aberto, até ser absolvido pelo STF, em 2016, após receber um indulto presidencial concedido pela então presidente Dilma Rousseff. Desde então, não possui pendências com a Justiça.

Ex-presidente Lula e ex-deputado João Paulo Cunha
Lula e ex-deputado João Paulo Cunha | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cunha tentou abrir um escritório de advocacia, sem sucesso. Com a volta de Lula ao poder, passou a atuar nos bastidores de Brasília e, no ano passado, tornou-se sócio de um renomado escritório de advocacia liderado por Ophir Cavalcante.

A Abrapp afirmou que a contratação do escritório de Cunha e Cavalcante segue normas de governança, destacando a experiência dos profissionais. A entidade afirma que a atuação é consorcial com outra banca qualificada, sempre considerando a defesa dos interesses do segmento de previdência complementar fechada.

6 comentários
  1. Cláudia Barata Leonardo
    Cláudia Barata Leonardo

    Esse ROUBO/ROMBO na PREVI está igual o que aconteceu com o nosso fundo, a FUNCEF. Estamos pagando o EQUACIONAMENTO, ou seja, estamos colocando dinheiro no nosso fundo, DE NOVO, porque esses “abençoados” fizeram um enorme estrago nas nossas APOSENTADORIAS. Se não cobrirmos o ROUBO/ROMBO não teremos mais dinheiro a receber num futuro bem próximo… esse DESGOVERNO não se importa com ninguém!!! Só gostam de METER A MÃO nas economias de quem REALMENTE TRABALHOU e fez sacrifício para ter uma aposentadoria DIGNA. Mas, no momento, nem com o futuro a gente pode sonhar… quero que esse DESGOVERNO acabe todinho na CADEIA!!! Eles precisam SENTIR NA CARNE o que as pessoas de bem estão passando…

  2. Celso Ricardo Kfouri Caetano
    Celso Ricardo Kfouri Caetano

    Pouco a pouco os petralhas surgem no cenário….João Paulo Cunha havia até esquecido dessa figura, mas eis o homem ai e envolvido em fundos de pensão…….eta coisa boa! Brasil acorda!!!!!

  3. Adelmo cabral
    Adelmo cabral

    A solução para o rombo é a mesma do marido que pegou a mulher com o Ricardão no sofá; vender o sofá.
    Aqui, em concreto, retira a autoridade do TCU para fiscalizar.

    Eita, turminha pra gostar de roubar.
    E ainda conta com a ajuda de um conselheiro nato da OAB Nacional.

  4. Luiz Carlos Mendonça
    Luiz Carlos Mendonça

    Por que será que eles não querem que haja fiscalização?

  5. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Petralha não tem sem culpa no cartório …

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