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O Instituto Veritá teve suas pesquisas eleitorais suspensas ou proibidas pela Justiça Eleitoral em 13 Estados e no Distrito Federal devido a falhas metodológicas e falta de transparência. No dia 12 de agosto, os TREs do Rio Grande do Norte e de Sergipe impediram a divulgação de levantamentos, apontando distorções nas amostras, como a concentração de entrevistados com maior escolaridade. Em casos mais graves, como no Amazonas, foram identificados dados duplicados em 62% da amostra.
O Instituto Veritá teve pesquisas eleitorais suspensas ou proibidas pela Justiça Eleitoral em 13 Estados e no Distrito Federal neste ano, em decisões que apontam falhas metodológicas, falta de transparência e, em um caso, indícios de duplicação de dados. Só na última quarta-feira, 12, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) do Rio Grande do Norte e de Sergipe impediram a divulgação de levantamentos do instituto para os cargos de governador e senador.
Nos dois casos, os tribunais apontaram distorções na composição das amostras. As decisões indicaram uma concentração de entrevistados com maior escolaridade e renda em proporção considerada incompatível com o perfil do eleitorado dos Estados.
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Em Sergipe, por exemplo, 31,1% da amostra declarada pelo Veritá tinha ensino superior completo ou incompleto. O porcentual é superior aos 19,2% apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2025, fonte de dados indicada pelo próprio instituto, e mais que o dobro dos 12,82% de eleitores sergipanos com esse nível de instrução segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Amostras do Instituto Veritá sob questionamento
O TRE de Sergipe proibiu a divulgação da pesquisa registrada em 7 de agosto. Ainda assim, um novo levantamento com os mesmos critérios de amostragem foi registrado na quarta-feira 12, com previsão de divulgação na semana seguinte.
No Rio Grande do Norte, o Veritá declarou ter entrevistado 34% de pessoas com ensino superior, enquanto esse grupo representa 13,73% do eleitorado estadual segundo o cadastro do TSE. A pesquisa também atribuiu 25% da amostra à faixa de maior renda, porcentual que, segundo a decisão, corresponde ao dobro do registrado em levantamentos de outros institutos.
A Justiça Eleitoral potiguar determinou ainda multa superior a R$ 58 mil em caso de reincidência. O Veritá já havia sido impedido de divulgar pesquisas no Estado por problemas semelhantes.

As sondagens do instituto são realizadas por telefone. Decisões nos Estados do Piauí, do Amazonas e de Pernambuco apontaram falta de informações suficientes sobre a origem, seleção e abordagem dos contatos usados nas entrevistas.
Na Paraíba, a Justiça Eleitoral considerou genérica a metodologia inicialmente registrada pelo Veritá, que não especificava se a coleta seria presencial, telefônica, eletrônica ou híbrida. Com a indicação de que as entrevistas seriam feitas por telefone, o instituto também não detalhou critérios para seleção nem sorteio dos números, controle de duplicidade ou confirmação do domicílio eleitoral.
No Tocantins, o tribunal classificou como “vício substancial” a falta de clareza sobre a fonte pública dos dados. Segundo a decisão, a deficiência “obstaculiza a fiscalização externa (controle social) e ofende o dever de transparência”.
O caso ainda apresentou uma inconsistência cronológica. A coleta ocorreu entre 29 de março e 4 de abril, mas a divulgação havia sido prevista para 3 de abril, antes do término das entrevistas.

Suspeita de duplicação no Amazonas
O caso mais grave citado nas decisões ocorreu no Amazonas. A Justiça Eleitoral proibiu a divulgação de uma pesquisa depois de uma análise forense contratada pelo PSD identificar cerca de 380 pares consecutivos de linhas idênticas nos 28 campos da planilha pública apresentada pelo instituto.
Segundo a análise incorporada ao processo, 62% da amostra declarada, de 1.220 entrevistas, correspondia a dados duplicados em série. Os registros repetiam as mesmas respostas para 23 perguntas.
A relatora Maria Auxiliadora dos Santos Benigno considerou o padrão incompatível com a metodologia informada pelo Veritá. “A magnitude do padrão descrito – 62% da amostra declarada com registros duplicados em série – é incompatível, em qualquer juízo de verossimilhança, com o funcionamento de uma unidade automatizada de reconhecimento de voz realizando entrevistas independentes”, afirmou.

A planilha também apresentava a coluna destinada aos números de telefone completamente vazia. O dado foi considerado contraditório com o relatório do instituto, que afirmava ter auditado 20% das entrevistas telefônicas.
No Espírito Santo, outro processo questionou a distribuição geográfica das entrevistas. O Veritá concentrou 42,13% da amostra em Vitória, município que reúne 8,89% do eleitorado estadual, enquanto Serra e Vila Velha, os dois maiores colégios eleitorais capixabas, não tiveram entrevistados.
Para o jurista Hélio João Pepe de Moraes, a concentração “não é obra da aleatoriedade, mas decorrência de escolha no desenho da coleta”.
As contestações não se limitaram à composição das amostras. Em processos no Distrito Federal, no Espírito Santo e em Mato Grosso do Sul, a Justiça Eleitoral também analisou a formulação dos questionários e a inclusão de candidatos em cenários considerados inadequados.

No Distrito Federal, o questionário apresentado pelo Veritá trazia, antes da pergunta sobre a governadora Celina Leão, questões relacionadas à Operação Dracon e à compra do Banco Master pelo BRB. A sequência perguntava se a governadora “pode estar envolvida nas denúncias da Operação Dracom” e se o entrevistado havia recebido mais “notícias negativas ou positivas” sobre ela.
A relatora, Leonor Aguena, apontou “enviesamento metodológico nítido”. Segundo ela, a sequência de perguntas negativas poderia induzir o entrevistado a um estado mental desfavorável antes da avaliação sobre a governadora. A divulgação da pesquisa foi suspensa.
No Espírito Santo, o instituto incluiu os prefeitos Euclério Sampaio, de Cariacica, e Arnaldinho Borgo, de Vila Velha, em cenários para o governo estadual quando já havia terminado o prazo de desincompatibilização. A Justiça classificou a conduta como capaz de “comprometer a integridade e a transparência da pesquisa eleitoral, criando um cenário de disputa eleitoral fictício”.

Em Mato Grosso do Sul, Simone Tebet apareceu como candidata ao Senado pelo MDB mesmo já tendo formalizado filiação ao PSB de São Paulo. A divulgação chegou a ser suspensa, mas a decisão foi posteriormente revertida, entre outros motivos, porque o partido que havia pedido a suspensão não comprovou a filiação.
Formalmente, o Veritá informa ao TSE que utiliza o método probabilístico PPT, ou Probabilidade Proporcional ao Tamanho. O instituto afirma que a técnica permite obter uma amostra representativa do eleitorado de cada Estado e, por isso, utiliza fator de ponderação 1, sem correção matemática posterior dos dados.
As decisões dos tribunais regionais, contudo, questionam justamente a premissa de que a coleta reflita de forma adequada o eleitorado. Um levantamento da coluna identificou contestações contra pesquisas do Veritá em 18 Estados em 2026. Apenas Maranhão e Paraná não tiveram, no período, decisão que proibisse ao menos uma divulgação do instituto.
O PollsterGraph, agregador de pesquisas ligado à AtlasIntel, coloca o Veritá na 72ª posição entre os institutos avaliados pelo desempenho nas eleições anteriores.

Procurado, o proprietário do Veritá, Adriano Silvoni, afirmou que “cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento” sobre as pesquisas. Leia a nota completa do empresário, enviada ao portal Metrópoles:
“Se quiser contar que das [sic] mais de 200 registros teve mais de 50 impugnações e dessas mais de 70% revertidas. Cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento. Tem TREs legislando inclusive sobre pesquisa de presidente que não é competência deles. Da nossa parte, agente [sic] não espera muito menos que isso, o instituto é independente e o que mais faz pesquisas por iniciativa própria, muitas UFs agente [sic] tem pedidos de impugnação de todos os candidatos.
No final agente [sic] mostra e acerta. Como 2018 só nos acertamos, primeiro turno de 2022 mesma coisa. Segundo turno melhor eu não te contar o que vi. Sobre 2024, fomos o primeiro a mostrar que Pablo estava na briga, ele só ficou fora por conta de um laudo. Segundo turno de 2024 fomos o único a fazer as 51 cidades que teve segundo turno. E acertamos 49 de 51. Sem contar 2010/2014/2016. Estamos tranquilos porque temos metodologia sólida, testada e previsões precisas. ‘Temos história’.”
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