publicidade
Política

OAB contesta emenda dos precatórios no STF

Ordem indica risco de calote público e afirma que norma perpetua dívidas judiciais

OAB delegado Roma
Durante a tramitação no Congresso, a OAB já havia se posicionado contra a proposta | Foto: Divulgação/OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a Emenda Constitucional n° 136, promulgada nesta terça-feira, 9, pelo Congresso Nacional. A nova regra permite que Estados e municípios adiem o pagamento de precatórios já reconhecidos pela Justiça.

A entidade alega que a emenda, originada da PEC n° 66, de 2023, contraria garantias constitucionais e utiliza mecanismos já rejeitados pelo próprio STF em decisões anteriores. Nesse sentido, a ação pede que a Corte suspenda os efeitos da norma até o julgamento definitivo.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

Segundo a petição assinada pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, e pelo procurador constitucional Marcus Vinícius Furtado Coêlho, o texto aprovado representa “afronta de forma direta ao texto constitucional”. A ação indica violação de princípios como a coisa julgada, a separação dos Poderes e a segurança jurídica.

A entidade afirma que a emenda fixa um teto de pagamento sem prazo-limite para a quitação dos débitos. Na prática, o modelo permitiria o acúmulo indefinido da dívida pública, criando, segundo a ação, um “passivo” para Estados e municípios.

“Na prática, conforme será fartamente aqui demonstrado, essa limitação faz com que o montante da dívida pública proveniente de condenações judiciais jamais seja plenamente quitado, renovando indefinidamente o passivo estatal”, diz trecho do documento.

Nova regra abre espaço fiscal para o governo federal

A Emenda n° 136 classifica os precatórios e as Requisições de Pequeno Valor em duas partes. Os valores principais entram como despesa primária, sujeita à meta fiscal. Já os juros e a correção monetária são tratados como despesa financeira, fora do alcance do novo arcabouço fiscal.

Em dezembro de 2023, o STF autorizou o governo a regularizar o estoque de precatórios até o fim de 2026. A nova emenda, no entanto, amplia essa margem. O Planalto estima gastar R$ 116 bilhões em 2026 com sentenças judiciais e R$ 516,3 bilhões até 2029.

+ Leia também: “OAB arquiva representação de mais de 750 advogados contra Santa Cruz”

Durante a tramitação no Congresso, a OAB já havia se posicionado contra a proposta. Em nota técnica, indicou vícios de constitucionalidade e solicitou parecer à Comissão Nacional de Estudos Constitucionais.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade