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A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) resultou na formação de palanques próprios por ambos os partidos nas eleições de 2026, com o PL apresentando candidaturas em 14 Estados e o PT em 12. O PL, que prioriza a identidade com aliados de Jair Bolsonaro, enfrenta dificuldades de coligações, enquanto o PT mantém uma rede de alianças em nove Estados.
A presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) como polos da disputa nacional levou os dois partidos a montarem palanques próprios. Nos locais em que isso não é possível, conforme relata a Folha de S. Paulo, eles procuram acordos locais, muitas vezes sem reproduzir a aliança nacional.
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O movimento é mais evidente na direita. O PL chega ao fim das convenções com candidaturas próprias ao governo em 14 Estados e formou chapas completas, com governador e vice da legenda, em dez deles. Quatro anos atrás, eram apenas três Estados nessa situação.
Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre os principais exemplos da mudança. A decisão de preservar candidaturas próprias nesses grandes colégios eleitorais mostra que o partido prefere manter uma identidade diretamente associada aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo quando havia possibilidades de composição com outras forças.
Na esquerda, o PT terá candidatos próprios em 12 Estados. A legenda, entretanto, conseguiu preservar uma rede mais ampla de alianças partidárias nos governos estaduais. Em nove unidades da Federação, apoiará nomes do PSD, MDB, PP ou União Brasil, com a expectativa de receber desses grupos sustentação regional para a campanha de Lula.
Essa diferença ajuda a explicar por que a eleição de 2026 não produziu uma repetição das grandes coligações nacionais de 2022. O presidente será candidato por uma aliança formal de sete partidos, mas não conseguiu levar PSD e MDB para sua coligação presidencial.
Flávio Bolsonaro enfrenta situação ainda mais restrita. PP e Republicanos, que estiveram ao lado de Jair Bolsonaro na eleição anterior, não repetirão a composição nacional. O senador chegará ao primeiro turno sem partido formalmente coligado à sua candidatura. A negociação, por isso, migrou para os Estados.
O PT fechou apoios a cinco candidatos do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, Eduardo Paes, do PSD, passou a declarar abertamente a intenção de trabalhar pela vitória de Lula, apesar da decisão de seu partido de não integrar a aliança presidencial.
José Guimarães, ministro de Relações Institucionais e integrante do PT, atribui a situação à autonomia dada pelas legendas de centro às suas estruturas estaduais.
“Nós temos palanques bem estruturados no Sul, no Sudeste e principalmente no Nordeste”, disse ele ao jornal. “E os partidos mais ao centro, eles liberaram [os diretórios locais]. A preocupação deles é mais eleger deputados e senadores.”
O PL também transformou os acordos regionais em alternativa à ausência de uma coligação nacional. A legenda conseguiu apoio para candidatos de outros partidos em 11 Estados, principalmente de PP, União Brasil e Republicanos.
Mas nem todos esses palanques estarão disponíveis para Flávio no primeiro turno. ACM Neto, do União Brasil, na Bahia; Ciro Gomes, do PSDB, no Ceará; e Dr. Furlan, do PSD, no Amapá, não apoiarão o senador.
A situação pernambucana também revela os limites da estratégia. O PL não chegou a um acordo com Raquel Lyra, do PSD, e preferiu lançar Mendonça Filho ao Senado, sem apresentar candidato ao governo. Em Alagoas, a negociação para uma aliança com João Henrique Caldas, o JHC, que disputa pelo PSDB, ainda não havia sido concluída.
Flávio, ainda assim, considera expressivo o número de apoios regionais obtidos. Em uma transmissão ao vivo na quinta-feira afirmou dispor de 22 palanques de candidatos aos governos estaduais favoráveis à sua candidatura. O número inclui estados em que mais de um candidato poderá apoiá-lo.
O resultado das convenções também expôs as dificuldades do PL para acomodar interesses dentro da própria direita. Em quatro estados, o conflito entre os dois principais campos nacionais produzirá uma disputa direta entre candidatos ligados a PT e PL.
Minas Gerais será um dos confrontos mais importantes. O PT escolheu Patrus Ananias para garantir ao presidente um candidato identificado diretamente com sua campanha. O PL, depois de semanas aguardando uma definição do senador Cleitinho, do Republicanos, decidiu lançar Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais.
A indefinição entre PL e Republicanos produziu ainda confrontos em Mato Grosso e Roraima. No Maranhão, o arranjo foi diferente: Flávio apoiará Roberto Rocha, do PRTB, mas o PL não fará parte oficialmente da aliança.
A disputa pelo Senado amplia ainda mais a importância dessas escolhas. A composição da próxima legislatura é tratada por PT e PL como uma questão estratégica, especialmente diante da possibilidade de novos enfrentamentos entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, inclusive em torno de eventuais pedidos de impeachment de ministros.
PT e PL nos Estados
O PL colocou candidatos em 25 Estados, que somam 33 nomes. A legenda não lançou candidatura própria apenas no Amapá e em Alagoas. Neste último, Alfredo Gaspar abandonou a corrida pelo Senado para ocupar a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Em sete Estados, o partido concorrerá às duas cadeiras disponíveis. Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina estão nessa relação.
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O PT combinou candidaturas próprias com apoio a nomes de outras siglas. Serão 19 candidatos da legenda em 17 estados. Na Bahia, os dois nomes são Jaques Wagner e Rui Costa. No Paraná, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha representarão o partido na disputa pelas duas vagas.
A composição da base governista no Nordeste também privilegia nomes de esquerda. Em Pernambuco, Humberto Costa e Marília Arraes, respectivamente do PT e do PDT, estarão juntos na chapa vinculada à candidatura de João Campos, do PSB, ao governo.
No Ceará, Cid Gomes será candidato ao Senado pelo PDT. A outra vaga ficará com Luizianne Lins. Ex-prefeita de Fortaleza, ela deixou o PT depois de 37 anos de filiação, ingressou na Rede Sustentabilidade e recebeu o aval de Lula para disputar.
O ambiente criado pela polarização nacional acabou comprimindo o espaço para candidaturas de centro. Na reta final das convenções, desistiram da corrida ao Senado nomes como Álvaro Dias, do MDB do Paraná; Irajá Abreu, do PSD do Tocantins; Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul; e Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais.
A organização das alianças revela uma eleição em que a polarização nacional não eliminou as negociações locais, mas mudou sua natureza. PT e PL não conseguiram formar grandes blocos nacionais equivalentes aos de 2022. Em vez disso, passaram a combinar palanques próprios com apoios estaduais, enquanto a disputa pelo Senado se transforma em uma extensão da batalha pelo controle político do país.
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