O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu mudanças rígidas na legislação penal e afirmou ser favorável à discussão sobre prisão perpétua no Brasil. Durante participação em um evento promovido pela XP Asset Management nesta quinta-feira, 27, ele afirmou ser necessário adotar medidas mais severas no enfrentamento ao crime.
“A mudança de legislação é bem-vinda. É necessária. Eu defendo algumas mudanças que sejam até radicais”, afirmou Tarcísio, conforme registrado pelo jornal Folha de S.Paulo. “Que a gente comece a realmente enfrentar o crime com a dureza que o crime merece enfrentado. Eu não acho, por exemplo, nenhum absurdo ter a prisão perpétua no Brasil.”
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A Constituição proíbe penas perpétuas no país e estabelece como limite máximo 40 anos de reclusão. Tarcísio mencionou o exemplo de El Salvador, onde o presidente Nayib Bukele adotou medidas duras contra organizações criminosas, o que resultou em queda significativa nos índices de violência e prisão de cerca de 83 mil pessoas, apesar das críticas de organizações internacionais de direitos humanos.
O governador sugeriu que o modelo adotado em El Salvador merece ser analisado. “Eu acho que a gente tem que aproveitar para dar repassar aquilo que a gente está fazendo. Mal comparando, vamos ver o que o Bukele fez em El Salvador. O que era e o que é.”
Bolsonaro tem papel relevante nas eleições de 2026, diz Tarcísio
Durante o evento, Tarcísio também comentou a definição do candidato da direita para a eleição presidencial de 2026. “Eu acredito que a gente vai saber no início do ano que vem”, avaliou. “O que eu falei nesta semana é que a gente não tem motivo para estar ansioso, a gente tem que ter um pouco de calma. O mercado é muito ansioso mesmo, né? O mercado gosta de precificar tudo muito rapidamente e como as coisas oscilam.”
O governador paulista disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por decisão do Supremo Tribunal Federal, permanece como figura central na articulação política da direita.
“A gente tem a grande liderança da direita passando por um processo de isolamento, um processo complicado. A gente tem que ajudar essa grande liderança, que é o presidente Bolsonaro, que vai ter um papel relevante nessa montagem”, pontuou. “Mas eu tenho certeza que, como a gente tem aí gente muito preparada, a gente tem boas propostas e, mais do que isso, um bom projeto, nós vamos conseguir organizar esse time. O que o Brasil precisa, no final das contas, ao fim ao cabo? Um projeto.”

Caso o PT vença as eleições do próximo ano, reformas estruturais seriam inevitáveis para evitar uma crise econômica, avalia o governador de São Paulo. Ele declarou não acreditar que o partido tenha disposição para implementar as medidas necessárias, pois isso impactaria sua base de apoio eleitoral.
Tarcísio ressaltou que a agenda econômica necessária para evitar um colapso seria semelhante à do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. “O Paulo Guedes falava muito dos D’s, e os D’s são a chave do sucesso aqui. O D da desregulamentação, o D da digitalização, o D da desvinculação, o D da desindexação, o D do desinvestimento, você vê que é tudo D. Então, quando você aplica essa série de D’s, você resolve o problema.”
Em relação ao Congresso Nacional, Tarcísio avaliou que a atual composição legislativa possui inclinação liberal e está aberta a reformas, o que considera positivo para o desenvolvimento de projetos para o país. Ele disse ainda que poucos presidentes conseguiram transformar o Congresso em parceiro das realizações governamentais e definiu a relação atual de Lula com o Legislativo como uma “confusão”.
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