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Política

Uma conversa com o senador que decidiu enfrentar o STF e o Banco Master

Relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira promete conduzir uma investigação séria sobre o caso

O senador Alessandro Vieira, durante votação do PL da Dosimetria - 17/12/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo
O senador Alessandro Vieira, durante votação do PL da Dosimetria - 17/12/2025 | Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

A investigação sobre o Banco Master deve ganhar protagonismo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado ao longo deste ano. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma que o caso reúne elementos que, na avaliação do colegiado, se encaixam na definição legal de organização criminosa.

Em entrevista exclusiva à Revista Oeste, Vieira assinala que o caso não pode ser tratado como um episódio isolado do mercado financeiro. Segundo o parlamentar, há indícios de uma operação estruturada, com “hierarquia, permanência e infiltração no poder público”.

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O senador também chama atenção para um ponto que costuma ser negligenciado no debate público. “Existe a tendência de associar crime organizado apenas à face armada”, observa. “Mas não é assim. Para ser crime organizado, não é necessário haver violência; é preciso organização.”

Na visão do relator, o desafio da CPI é demonstrar que a infiltração pode ocorrer tanto nas periferias quanto nos centros de poder.

O que diz Alessandro Vieira, sobre o Banco Master

O avanço da investigação levou a CPI a apresentar requerimentos de convocação de familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa provocou reação imediata e acusações de perseguição política.

Vieira rejeita essa leitura. “Depoimentos são oportunidades para que testemunhas e investigados apresentem suas versões”, diz. “Investigar não significa condenar previamente.”

No caso de Moraes, o senador afirma que a comissão busca esclarecimentos sobre contratos que considera atípicos. Em relação a Toffoli, menciona decisões e despachos que, segundo avaliações apresentadas à CPI, teriam dificultado a atuação de órgãos de controle. “Esses fatos exigem esclarecimento”, afirma, ao defender pedidos de quebra de sigilo.

O combate ao crime organizado

Ao longo da entrevista, Vieira insiste na ideia de que o país ainda tem uma visão restrita sobre o tema. Para o senador, o crime organizado não se resume a facções armadas.

“A infiltração ocorre por duas vias principais”, explica o parlamentar. “O financiamento ilegal de acesso ao poder — campanhas e lobbies — e a lavagem de dinheiro.” Segundo o senador, recursos oriundos de corrupção utilizam os mesmos mecanismos financeiros daqueles provenientes de atividades violentas.

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Ele resume a tese com uma mensagem incisiva: “É preciso que o cidadão compreenda que crime organizado não se limita ao homem armado na periferia. Há também o agente de terno e gravata nos grandes centros ou em Brasília, cometendo crimes que lesam milhões de brasileiros”.

O que vem pela frente

Indagado sobre a possibilidade de uma CPI exclusiva para o Banco Master, Vieira afirmou que mais investigações seriam bem-vindas. “Quanto mais investigação houver, melhor, considerando a gravidade do caso e os valores envolvidos”, diz.

O senador também admite que, se os fatos avançarem, o debate pode alcançar medidas mais duras. “Os fatos impõem a política”, ressalta. Para o senador, eventuais consequências dependerão da solidez das provas reunidas.

A entrevista completa com Alessandro Vieira, com detalhes sobre os próximos passos da CPI, as tensões com o Judiciário e as propostas legislativas que o senador pretende apresentar, está disponível na edição para assinantes da Revista Oeste.

1 comentário
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O Brasil tá a passos de tartaruga esses caras de colarinho branco já trocaram esses colarinhos brancos por vermelho desde 1990

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