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O presidente Lula e as tarifas dos EUA e da China | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Ricardo Stuckert
Edição 333

Tarifaço do bem e tarifaço do mal

Mais uma vez, Lula inventou uma narrativa sem fundamento

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O presidente Lula criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos, afirmando que "ninguém vai ganhar no Brasil mentindo", embora sua vitória nas eleições tenha sido marcada por promessas não cumpridas. Ele se referiu a um tarifaço de 37,5% sobre produtos brasileiros, que afeta a indústria nacional, mas ignorou as tarifas muito maiores da China. O governo anunciou uma linha de crédito de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas, mas a crítica é que isso não resolve o problema.

O presidente Lula criticou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos com uma frase que manifesta mais uma incongruência entre a “narrativa” e os fatos. Lula disse: “Ninguém vai ganhar no Brasil mentindo”. É uma piada pronta. Lula ganhou as eleições mentindo. Mentiu sobre o fim do sigilo. A volta da picanha. Que o Brasil teria superávit fiscal. Que ia acabar com a fila do INSS. Que diminuiria as mortes dos índios Yanomamis (como não conseguiu, deixou de contabilizá-las). Isto só para mostrar alguns exemplos entre os muitos que há.

Acusou, sem argumentos sólidos, Trump de “interferir na soberania brasileira”. O comércio internacional raramente é simples. Quando um país aumenta tarifas de importação, quem sente os efeitos são empresas, trabalhadores, consumidores e cadeias produtivas do país exportador. Foi o que ocorreu com a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 37,5% sobre diversos produtos brasileiros — medida que atinge setores importantes da indústria nacional, embora alguns produtos estratégicos tenham sido excluídos.

Presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca (24/07/2026) | Foto: Casa Branca/Molly Riley

O que chama a atenção nesse caso não é a informação em si, e sim como Lula inventou uma narrativa sem fundamento. Você parou para pensar que sempre que discursa com o chapéu cubano, quando fala “sabe” ou quando afirma que “nunca na história deste país”, o que sai da boca de Lula não tem fundamentação de fatos? São sempre narrativas eleitorais com o objetivo de manter sua base de votantes por perto.

Para desvendar mais uma narrativa no discurso vazio de Lula, ele fez referência à reunião que teve com Trump. O petista disse que em três horas de conversa, nunca se tocou no tema do tarifaço e que não foi negociado nada. Óbvio. As negociações são técnicas e as conclusões são políticas. Os presidentes não negociam. Eles ratificam num acordo o que os técnicos negociaram anteriormente. Afirmou também que “os traidores têm de ser enforcados” e já tinha acusado Flávio Bolsonaro de ser um traidor da pátria. Ora: cadê a investigação por discurso de ódio?

Trump e Lula se cumprimentam durante encontro nesta quinta-feira, 7, em Washington | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Trump e Lula se cumprimentam durante encontro em Washington, D.C., EUA (07/05/2026) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Segundo o discurso de Lula, o tarifaço dos Estados Unidos é um ataque à soberania, mas o tarifaço de 55% da China sobre proteínas brasileiras sequer entra na agenda. Eu sei que petista e matemática não podem estar juntos na mesma frase, mas mesmo sem estudos, todo brasileiro sabe que 55% é maior que 37,5%. 

Basta pegar uma calculadora e estimar a relação para observar que 55% do tarifaço da China é 31,8% maior que os 37,5% do tarifaço dos Estados Unidos. Como resposta, o governo brasileiro anunciou uma linha de crédito de R$ 18,5 bilhões destinada a oferecer capital de giro, investimento e apoio à diversificação de mercados para empresas afetadas. Dar crédito a quem terá uma redução de receitas para capital de giro é como convidar um vegano para um churrasco. Ele não vai comer nada, mas vamos ficar bem por tê-lo convidado. Esta política de empréstimos é ridícula.

Fica claro que tem tarifa do bem da China, e tarifa do mal, que ataca a soberania, e fica claro também que mesmo com excelentes diplomatas de carreira, o desgoverno do PT colocou ao Brasil nas sombras da política internacional quando abandonou a diplomacia de Estado para fazer diplomacia de Governo. Essas falhas nas negociações têm uma justificativa simples. Até abril, o presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex), o senador Jorge Viana, não sabia falar inglês.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, concede coletiva sobre tarifas comerciais anunciadas pelos EUA, em Brasília, DF (03/04/2025) | Foto: Robson Moura/TV Brasil

Os dirigentes do PT não sabem administrar estatais, não sabem negociar e não sabem de matemática. Independentemente da posição política de cada um, é natural que um governo procure reduzir os impactos de uma medida externa sobre sua economia. Empresas precisam de previsibilidade. Trabalhadores precisam de empregos. Exportadores precisam continuar competitivos.

Ao mesmo tempo, episódios como esse lembram uma realidade importante: no comércio internacional, não existem apenas aliados permanentes nem adversários permanentes. Existem interesses nacionais.

Os Estados Unidos justificam a tarifa com base em sua legislação comercial e em alegações de práticas consideradas desleais pelo Escritório do Representante Comercial norte-americano. O Brasil “contesta” essas justificativas e afirma que pretende buscar soluções por meio do diálogo e dos mecanismos internacionais de comércio. Durante o ano que durou a negociação, não conseguiu nenhum avanço, e as suspeitas são de que foi totalmente previsto, para sofrer o tarifaço e culpar, como sempre, algum Bolsonaro. Desta vez, Flávio.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump em encontro na Casa Branca (26/05/2026) | Foto: Reprodução X/@BolsonaroSP

A prática de tarifas de importação é comum, e outros parceiros também adotam medidas de defesa comercial quando entendem que seus interesses econômicos estão sendo afetados. Em diferentes momentos, diversos países — inclusive a China, a União Europeia, os Estados Unidos e o próprio Brasil — recorreram a tarifas antidumping, salvaguardas ou outras barreiras comerciais previstas nas regras do comércio internacional. Esses episódios mostram que disputas comerciais não são exclusividade de um único país nem de um único governo. Elas fazem parte das relações econômicas entre nações.

O desafio para qualquer governo é responder de forma técnica, estratégica e eficiente, preservando mercados e buscando novas oportunidades para os exportadores brasileiros. Nunca se deve responder de forma política. O Palácio do Itamaraty parece não entender como funcionam as negociações internacionais

Trump começa toda negociação no formato primal em que ele impõe condições e o outro lado aceita ou sai de cena. Basta analisar as disputas comerciais para verificar que é sempre desta forma. O desafio de quem está sendo pressionado é transformar a negociação primal numa negociação cognitiva em que as duas partes negociam, explicam motivos, argumentam suas posições e chegam a um consenso.

O secretário de Estado, Marco Rubio, e o presidente dos EUA, Donald Trump, participam de uma reunião de gabinete na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA (27/05/2026) | Foto: Reuters/Evan Vucci

O Brasil nunca chegou a esse ponto de transformação. Hoje, em função do discurso de Lula, estimo que foi totalmente proposital. Mais importante do que transformar uma disputa comercial em um debate político é concentrar esforços naquilo que fortalece a competitividade do país no longo prazo. Isso passa por investir em infraestrutura, educação, inovação, segurança jurídica, simplificação tributária e aumento da produtividade. São esses fatores que tornam uma economia mais preparada para enfrentar crises externas.

Ao final, há uma lição que vale para qualquer momento da história. O mundo continuará impondo desafios ao Brasil. Alguns virão da geopolítica. Outros da concorrência internacional. Outros das oscilações dos mercados.

Mas a melhor resposta continuará sendo a mesma: um país economicamente forte, institucionalmente sólido e capaz de competir pela qualidade dos seus produtos e pela confiança que transmite ao mundo.

As tarifas podem mudar de um governo para outro. A necessidade sempre será de construir um Brasil mais competitivo, mais produtivo e mais preparado para enfrentar o mundo e os constantes câmbios da geopolítica atual.

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1 comentário
  1. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Parece que nada tem a ver com o teu comentário, mas esqueceram do mapa mundi invertido. Um governo que autoriza a divulgação de tal incoerência espacial vale zero vezes zero. Aliás, algum político deveria pedir investigação sobre os gastos do tal mapa e se ele está incluído em livros didáticos. A aurora boreal ficou na patagônia com o pt.

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