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Rod Liddle, jornalista britânico | Foto: Montagem Revista Oeste/IA/Reprodução/Times Radio
Edição 335

A dança macabra da esquerda

Uma turba digital celebrou as mortes de Kirk e Widdecombe. Agora é a vez de Rod Liddle

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Após a morte de Rod Liddle, colunista britânico, em 2026, a esquerda digital expressou alegria nas redes sociais, atacando sua figura com ofensas e acusações de racismo e islamofobia. Críticos, como Mehdi Hasan, usaram sua morte para discutir a suposta normalização da islamofobia na mídia. O autor do artigo critica essa celebração da morte, argumentando que reflete uma cultura de cancelamento e um narcisismo que prioriza a autoestima sobre a liberdade de expressão.

Não há nada que a esquerda digital ame mais do que uma morte prematura. E se for violenta, melhor ainda. O corpo de Charlie Kirk mal tinha esfriado quando seus haters já estavam às gargalhadas: “Tchau,  vagabundo nazista”. “Já vai tarde”, tuitou a jornalistazinha medíocre e maluca Ana Kasparian, depois da morte do senador americano Lindsey Graham. Nem mesmo a revelação de que Ann Widdecombe, a grande dama conservadora, porta-voz do partido Reform UK, havia sido golpeada até a morte com um martelo foi suficiente para conter a alegria dos que riem da tragédia alheia. “Velha vagabunda racista”, disseram os mais dementes. “Fanática”, disseram os mais “moderados”.

O ativista e comentarista de direita Charlie Kirk pouco antes de ser baleado na Universidade de Utah Valley, em Orem, Utah, EUA (10/9/2025) | Foto: Reuters/Trent Nelson/The Salt Lake Tribune

Agora os carniceiros estão indo atrás de Rod Liddle, o brilhante e antagônico colunista que morreu no domingo, com apenas 66 anos de idade. Antes mesmo de cavarem sua cova, essa turma já dança sobre ela. Para eles, Rod era um “defensor de pedófilos, racista e ‘islamofóbico’ atroz”, choramingam os infelizes da esquerda cretina. Para os abutres de Liddle, não importa nem um pouco que nada disso seja verdade ou que difamar aqueles que acabaram de morrer seja o mais sórdido comportamento de um ser humano. Eles precisam sinalizar sua “virtude”, e se for necessário tripudiar sobre o cadáver de um escritor amado, que assim seja.

É sórdido até dizer chega. Especialmente na rede social Bluesky. Esse é o esgoto para o qual liberais e esquerdistas migraram em massa depois que o X finalmente permitiu que mulheres se referissem aos machos de saia como “eles” e não censurou a “turma do arco-íris” que disse “não gostamos de imigração em massa”. Como relata Joanna Williams, a ralé de palhaços que fugiu para o Bluesky vem postando emojis de risada e imagens de garrafas de champanhe estourando. Imagine o tamanho do narcisismo daqueles que celebram a morte de um homem só porque ele disse coisas das quais discordam. “Nenhum comportamento humano me surpreende” e outros pensamentos desse tipo passam pela minha cabeça, mas eu realmente não consigo entender essa autoestima tamanha que consegue aplaudir a morte súbita de um marido e pai muito amado só porque isso significa que você e seu caráter frágil serão poupados de palavras perversas.

O ódio a Liddle rapidamente se tornou o esporte sangrento da esquerda burguesa. Desandou numa sinistra competição de crueldade digital. Um traste querendo ser pior que o outro. Não se esqueçam do seu “racismo descomunal” e de suas “inúmeras defesas da pedofilia”, disse um deles. Ele “promoveu incansavelmente o racismo”, disse um esquerdista raivoso. Ele era um “valentão verborrágico”, disse um blogueiro. Não era. Se os covardes da classe média mimada se sentiram intimidados pelas colunas de Rod, o problema é deles. Além disso, pelo menos ele “intimidava” pessoas que estavam vivas, que podiam se defender, ao contrário de seus próprios perseguidores póstumos, despidos de qualquer constrangimento.

É claro que o jornalista Mehdi Hasan não poderia ficar de fora. Esse imbecil não resiste a uma celeuma digital. “A onda de amor pelo comportamento ofensivo de Rod Liddle é um lembrete de como a islamofobia tomou conta da mídia mainstream, e é até incentivada no discurso político e midiático do Reino Unido”, disse ele. Que baita narcisismo identitário. Entendam de uma vez por todas que Liddle não era fã do Islã. Nem todo mundo é obrigado a gostar da religião de vocês. O boletim Zeteo, de Hasan, publicou um artigo intitulado “Rod Liddle morreu. Saiba quem é ele por suas próprias palavras”. Cada citação foi arrancada do contexto sem a mínima honestidade intelectual, numa tentativa de retratar Liddle como um sujeito terrível. Pura desinformação.

Jornalista Mehdi Hasan | Foto: Reuters/Leah Millis

A falta de senso de humor dos críticos histéricos de Liddle é espantosa. Esses caretões afetados não reconheceriam uma piada nem se viesse como um tapa na cara. (Calma, pessoal. Isso não é incitação à violência, é só uma expressão.) Considerem a alegação de que Liddle era defensor da pedofilia. Isso vem de uma coluna autodepreciativa na qual ele disse que nunca poderia ter sido professor porque ficaria atraído sexualmente pelos alunos. Eles nunca citam o resto da coluna, na qual ele afirma claramente que professores terem relações sexuais com alunos é um “erro”, uma “estupidez”, uma “exploração”. Por que esse bando de mentirosos omite essa parte?

E tem a frase publicada no Spectator que citam o tempo todo: “Minha opinião é que não existe islamofobia nem de longe suficiente dentro do Partido Conservador”, escreveu Rod. “Fanático!” “Racista!” Calma lá. Ele deixa cristalino nesse artigo que o termo “islamofobia” representa a crítica ao Islã. “As pessoas deveriam ter permissão”, disse ele, “para chamar o Islã de ‘ideologia opressora’ que às vezes bate de frente com os ideais de ‘democracia secular e direitos iguais’”.

Essa é a postura arrogante de gente que inventou o conceito de “islamofobia”, um termo ridículo usado para policiar e calar a crítica ao Islã, e depois se escandaliza quando um escritor usa “islamofobia” com o significado de crítica ao Islã. Como disse Liddle, ter “ressalvas” em relação a uma ideologia “não é racismo”. Isso mesmo. Ele também escreveu nessa coluna que Boris Johnson estava errado ao dizer que mulheres de burca parecem caixas de correio, porque “caixas de correio são vermelho-vivo”. “Elas parecem mais com o Darth Vader.” Ah, que droga, uma piada. Preparem o divã para amortecer os desmaios. Chamem a polícia.

Eu sei, explicar uma piada é assassiná-la. Mas o que mais podemos fazer diante de um humor hostil? Todo esse ódio a Liddle é prova de que, hoje em dia, a universidade emburrece os alunos. Uma geração inteira foi treinada para cultivar a própria autoestima acima de tudo, até mesmo do direito duramente conquistado de falar — e blasfemar — livremente. A autoidolatria da classe acadêmica deu à luz um público extremamente alérgico ao humor. Liddle era um demônio para esses minideuses que valorizam os próprios sentimentos mais do que a liberdade.

O wokismo virou um culto da morte. Centenas de funcionários do setor público nos EUA foram repreendidos por celebrarem o assassinato de Charlie Kirk. Postagens nas redes sociais “comemoraram” a morte de Lindsey Graham. Nem mesmo o status de patrimônio nacional protegeu Ann Widdecombe da euforia macabra dos doidos varridos da esquerda. “Espero que a morte dela tenha sido extremamente dolorosa”, disse um universitário. Some-se essa dança sobre túmulos ao fato de que ativistas trans vivem desejando a morte das TERFs (feministas radicais que não reconhecem “mulheres trans” como mulheres), e de que a turma do keffiyeh não dá a mínima para o estupro e o assassinato de judeus. E é inegável: a ala mais radical da esquerda vê a morte como um castigo justo para as “pessoas de direita”.

Senador Lindsey Graham morte aliado Trump
O senador Lindsey Graham era aliado de Trump | Foto: Facebook/Senador Lindsey Graham

Na minha opinião, esse escárnio diante da morte é um câncer nascido da cultura do cancelamento. Uma classe ativista que considera o cancelamento implacável um castigo justo para quem pensa “errado” logo vai passar a ver aquele que é o mais brutal dos cancelamentos — a morte — como algo justo, engraçado ou, no mínimo, como uma oportunidade de lembrar a todos o quão horrível era o morto. A alegria desavergonhada com que a turba “progressista” fala mal dos mortos é um testemunho da selvageria da neocensura. Convencidos de que deveriam ter o direito de desfilar pela vida sem nunca ouvir uma palavra desagradável sobre essa droga de identidade trans ou essas crenças islâmicas estúpidas, eles chegam a sentir quase alívio quando um hater bate as botas. O culto do narcisismo é a parteira que traz ao mundo modos de pensar verdadeiramente cruéis.

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