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Alexandre Garcia, agraciado com o título de Cidadão Paulistano, reflete sobre a importância da autonomia do povo na democracia, ressaltando que a verdadeira condução deve vir da vontade popular, não da manipulação por demagogos. Ele critica a desinformação que mantém a população dependente de promessas políticas e a falta de investimento em educação, que poderia libertar os cidadãos.
Recebi da Câmara de Vereadores de São Paulo o título de Cidadão Paulistano. Eu tinha 13 anos quando meu pai voltou dos festejos do IV Centenário de São Paulo, trazendo para mim uma camisa toda estampada com o brasão do município, com os dizeres “Non ducor, duco“. No meu latim de terceiro ginasial, consegui traduzir: “Não sou conduzido, conduzo”. Perfeito para São Paulo, que é o condutor do país. Mas isso deveria servir para cada brasileiro. Afinal, é princípio do regime democrático, e primeiro artigo da Constituição Brasileira, que o poder emana do povo. O povo conduz, não é conduzido. Se for conduzido, não é povo, mas rebanho. Uma frase tão forte quanto o dístico de Ordem e Progresso. Deveria estar na cabeça de cada brasileiro, para que se confirme como cidadão.

O que se vê é o povo sendo conduzido. É o que tenho visto por toda a vida. Pela falta de conhecimento, pela desinformação, multidões de milhões são mantidas na dependência de demagogos que manipulam suas vontades, ou os ensinam a não ter vontade, além da vitória de seu time de futebol e da alegria de ter algum sonho singelo de consumo atendido. Trocam-se votos por par de chinelos ou de óculos, dentadura, material de construção, Bolsa Família. E as lendas correm, difundindo as bondades desse político ou daquele “coronel”. O resto, Deus dará.
Os populistas no governo não investem no ensino e no conhecimento, porque seria dar liberdade ao povo cativo, às decisões do eleitor. O ensino que aprovam não é das letras, números e ciências. Ironicamente, é o ensino de Paulo Freire, que prega a libertação contra a opressão. E prepara as pessoas oprimidas pela demagogia para serem massa de voto que mantém o poder do populista esperto e opressor. Além de usar o voto desse povo, usam as estatais pertencentes ao povo para se fortalecerem e garantirem munição das batalhas eleitorais. Gramsci pregou a conquista de corações e mentes pelo uso de argumentos inteligentes. No Brasil, o jogo nem exige inteligência na enganação simplória, que é aceita por quem só tem necessidades, sem noção de seus poderes e direitos. Basta assustar o eleitor com o perigo de acabar o Bolsa Família, o SUS e o vale-gás e está comprado o voto com a moeda da mentira.

No período da pandemia, foi posto em prática o sistema de controle pelo medo. Um vírus desconhecido, covas já abertas à espera do seu corpo e você paralisado pelo pânico, fazendo tudo o que a mídia colaborativa mandava. Os artistas mandavam você ficar em casa. Você tinha que trabalhar, vender, produzir, mas tinha medo do vírus, da polícia, do repórter vigilante, enquanto a mídia avisava que não tinha remédio. E você fez tudo o que mandaram. Enquanto isso, os demagogos ganhavam dinheiro com os ventiladores, as internações, as mortes por dengue e coração registradas como covid-19. Só perdia você, em renda, produção, vendas, saúde mental e física, e pessoas queridas. A TV tratou você como ovelha do rebanho.
No mesmo dia em que o vereador Adrilles Jorge me entregou o diploma de Cidadão Paulistano, recebi o Prêmio Liberdade de Imprensa 2026, do Instituto Formação de Líderes, no evento Caminhos da Liberdade. Lembrei como é difícil contar com liberdades garantidas pela Constituição. Basta o governo cortar verbas publicitárias de uma centena de rádios, e elas, alegando, com justiça, “razões financeiras”, cortam o comentarista que estiver desagradando o governo, por se basear em fatos e não em militância. Aliás, se o governo precisa de propaganda, é porque seu produto, os serviços públicos, é ruim. A propaganda que faz é enganosa, mas serve para comprar a linha editorial que decide o que pode ser noticiado ou não. Evita que cheguem más notícias ao eleitor que só se informa — desinformando-se — por aquele meio.

Por isso, os demagogos não gostam do novo mundo digital, em que as pessoas se informam pelo celular. E usam as redes para expor suas reclamações, suas opiniões. É a voz do povo, diferente da mídia domesticada. O governo usa desvãos da censura contra as redes e, claro, tem apoio da mídia que perde audiência. Mas o celular sozinho não vai nos salvar do domínio da demagogia. O que salva é o ensino que desperta a descoberta de que o conhecimento liberta. O que não vai acontecer se eleições não anularem a origem da tutela. Porque no mundo justo e livre de uma democracia, não há lugar para falsos condutores. O líder verdadeiro é conduzido pela vontade de seu povo.
Leia também “Os genocidas”
Cristina Agostini
Aleandre, vc já ouviu falar em um livro chamado “ the shock doctrine”?
Foi publicado pouco depois do 11 de setembro e explicava como se aproveitar de um fato impactante para legislar e controlar uma população em estado de choque .
É uma teoria bastante interessante
O artigo é bom. Mas cadê o Alexandre Garcia de duas semanas atrás, aquele que detonava Flávio Bolsonaro, o único capaz de nos livrar das mazelas do artigo acima, dos populistas, da esquerda nefasta, para exaltar Caiado, o candidato da direita limpinha, que finge ser contra o sistema, mas é agente dele. Explica aí, Alexandre! Você está de que lado? Você quer mesmo tirar os populistas da frente? Parece que não. Você ainda acha que o Caiado é a solução? Cara, tô ficando de saco cheio e burrice tem limite…
ESTE EXCELENTE ARTIGO DO TAMBÉM EXCELENTE JORNALISTA ALEXANDRE GARCIA DESCORTINA PARA TODOS OS BRASILEIROS A SOLUÇÃO NO CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZOS PARA QUE POSSAMOS NOS LIVRAR DOS POLÍTICOS DEMAGOGOS, POPULISTAS DA ESQUERDA BRASILEIRA, COMO TAMBÉM DO CENTRÃO LADRÃO, LIDERADO PELOS CANALHAS E CAFAGESTES DE PLANTÃO, OS QUAIS FICAM EM CIMA DO MURO PARA O QUEM DÁ MAIS CARGOS E MINISTÉRIOS, QUE SIGNIFICAM PODER E DINHEIRO. ACORDEM ELEITORES BRASILEIROS, OU CONTINUAREMOS NA MERDA DO EXPRESIDIÁRIO PARA SEMPRE SEM FIM. OBS; NÃO DIGA AMÉM!
Mais um artigo impecável do jornalista autêntico Alexandre Garcia. Muito obrigado pelo texto.
Caro Alexandre Garcia, ontem, dia 13/08/2026, você foi reconhecido como cidadão paulistano. Eu sou paulistano “desde que nasci” e me orgulho de tê-lo como nosso conterrâneo, nosso “conhecido do bairro”. Eu, como você, isto é uma verdade e uma orientação de vida: “Non Ducor, Duco”. Poucas coisas, ou talvez nenhuma, represente tão bem o cidadão consciente, o cidadão que constrói o país. Parabéns.