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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 336

Os que decidem

Na eleição está a opção de piorar ou de estancar a sangria do desperdício, do desvio

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, iniciou suas vendas em 1952 e a empresa operou por 74 anos, mas não resistiu ao governo Lula 3, que viu um aumento de 66% nas recuperações judiciais, totalizando 6.341 casos. A inadimplência afeta mais de 9 milhões de empresas e 82% das famílias, enquanto a dívida pública chega a R$ 10,4 trilhões. O ex-secretário de Política Econômica no governo Bolsonaro, Adolfo Sachsida, prevê que 2027 será um ano perdido, com alívio apenas em 2028.

Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, começou a vender em 1952, em São Caetano do Sul. Seu empreendimento vendeu para o Brasil inteiro por 74 anos. Resistiu ao Dilma 2, mas não conseguiu sobreviver ao Lula 3. Como as Casas Bahia, portas se fecham em outras lojas, fábricas, empreendimentos. No Lula 3, recuperações judiciais, como a das Casas Bahia, subiram 66% e totalizam 6.341 casos. Mais de duas centenas de empresas já foram buscar soluções no Paraguai, onde os tributos e a burocracia não oprimem como no Brasil. O Brasil privado e o estatal estão seriamente endividados. A Serasa mostra que mais de 9 milhões de empresas — a maioria pequenas — estão inadimplentes; 82% das famílias estão endividadas. A dívida pública está em R$ 10,4 trilhões e gera R$ 1 trilhão de juros por ano, o que equivale a jogar fora duas Petrobras por ano. São números, não sensações.

Ao contrário do que prega Tiririca, pode ficar pior. Na origem desse caos está a ideologia de que o Estado é mais que a nação — o que é uma inversão do conceito de democracia, em que o Estado, sim, está a serviço da nação, que é a origem do poder. A nação são as pessoas físicas e jurídicas que pagam impostos. Os que empregam, os que trabalham, os que votam. Na eleição deste ano está a opção de piorar ou de estancar a sangria do desperdício, do desvio. Para pagar seus gastos, que não se traduzem em bons serviços públicos, o governo oferece papéis e tem que pagar caro pelo dinheiro que toma. Assim, no mercado, puxa para cima juros que as famílias, a indústria, a agricultura e a pecuária, o comércio e os serviços não podem pagar. A produção e as vendas caem, e o país entra num círculo vicioso com colapso previsível se isso continuar. 

A ideologia de Estado indutor de crescimento só funciona quando o Estado não atrapalha a iniciativa privada que investe. Delfim Neto, quando era o chefão econômico do governo, dizia que o investimento estatal se divide em três: um terço para a corrupção, um terço para a má aplicação — e sobrava um terço para o projeto em si. O secretário de Política Econômica de Paulo Guedes, Adolfo Sachsida, postou nas redes que o ano que vem já está perdido; só serve para tratar na UTI o Estado doente, e que o alívio só começará a ser percebido no segundo semestre de 2028. Considerada a gravidade da situação atual, maquiada pela propaganda do governo, Sachsida até está otimista, imaginando 18 meses suficientes para conter a sangria. Quanto ao prazo, enfim, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, diz que o Lula 3 está igual ao Dilma 2, e o interregno Temer conseguiu evitar o colapso.

Só que, para isso, é preciso impedir que a deterioração continue, e que ano que vem Tiririca constate o oposto de sua palhaçada, porque pior pode ficar. A primeira medida para evitar pode ser tomada em outubro. Quase 160 milhões de brasileiros estão aptos a tomar essa decisão sobre seu próprio futuro. Infelizmente, muitos se abstêm de votar; outros, descontentes com os candidatos que os partidos lhes oferecem, anulam o voto; e outros, enfim, por indecisão ou protesto, simplesmente votam em branco. Se a gente projetar para este ano o que aconteceu na última eleição presidencial, esses chegam a 40 milhões de eleitores. Curioso que esse é o número revelado pelos percentuais das pesquisas deste ano sobre intenções de voto pró-Lula e das intenções somadas dos anti-Lula no primeiro turno: cerca de 40 milhões de eleitores em cada lado. Somados os que se abstêm e deixam para outros a decisão de seu futuro aos que estão decididos pró e contra Lula, são 120 milhões de eleitores. E onde estão os outros 40 milhões? 

Quase 160 milhões de brasileiros estão aptos a tomar essa decisão sobre seu próprio futuro | Foto: Shutterstock

A última pesquisa BTG/Nexus mostra que 23% não têm interesse na eleição. Existem mais de 16 milhões de eleitores acima de 70 anos, que não têm obrigação de votar; e cerca de 3,5 milhões de eleitores com 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo. Vai dar fácil, num “chute” não estatístico, uma multidão de 40 milhões de eleitores. Com os descontentes e ausentes da urna, dá 80 milhões. Por isso têm aparecido nas pesquisas que 52% ainda estão num limbo decisório. Esses são um potencial enorme para quem quiser decidir a eleição. Eles têm a força. 

Quem quiser ganhar a eleição presidencial e tiver argumentos, que os mostre; quem tiver equipe de futuros ministros, que os revele; quem souber evitar o caos, mostre o que vai fazer. “É a economia, estúpido!” Quem quiser que seu povo viva com segurança, que diga como vai apoiar a polícia, como vai atuar contra o crime cibernético, que já é maioria. Quem quiser que o povo se liberte e não fique dependendo da esmola que o governo dá com os impostos dos outros, que promova um ensino libertador, de conhecimento de números, ciências e letras, para que a pessoa se promova, invista em si e não jogue fora em apostas, nem se torne feudo de demagogos.

E quem quer que esteja fazendo campanha para seu preferido, não perca tempo falando para seu próprio grupo, para os que também apoiam o mesmo candidato. Fale, argumente para a metade que ainda está em dúvida, ou demova os que não pretendem votar. Não adianta ir de punhos cerrados contra o militante adversário; só vai convencê-lo ainda mais de que você é um fanático radical. Vá de braços abertos, para deixá-lo em dúvida. Mostre o que é melhor, com argumentos, com substantivos, não com adjetivos ou interjeições. Se você conquistar um adversário político, marcou dois pontos: o voto que tirou do adversário e o voto que leva para o seu candidato. Basta provar que a frase de Tiririca é só palhaçada. Porque pior do que está, pode ficar.

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4 comentários
  1. Sônia Maria Martins Rodrigues
    Sônia Maria Martins Rodrigues

    Obrigada Alexandra Garcia por existir. Com esqueedista não consigo comentar nada. Indeciso sempre já tem um Pé no molusco.

  2. Regina Helena da Silva Simões
    Regina Helena da Silva Simões

    Execelente artigo que já é uma marca dde Alexandre Garcia, um dos melhores jornnalistas de todos os tempos. Não perco seus comentários, sou fã de carterimha. Obrigada por nos elucidar comm toda clareza e proficiência.

  3. JOÃO RICARDO ASTOLPHI
    JOÃO RICARDO ASTOLPHI

    Os problemas principais do pais na questão eleitoral sao 2:
    1) a multidao de isentos e ineptos que assinam cheque em branco
    2) o proprio processo eleitoral com bias explícito, alem das suspeitas imensas na lisura do pleito, apuração extremamente duvidosa e nada clara! Mas parece que ninguém mais liga pra isso, né?

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    É isto aí. Também, na prática, é uma escolha entre o comunismo e a democracia liberal.

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