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Economia

Conta de luz deve subir acima da inflação em 2026

Consultorias preveem aumento real de até 4% na tarifa residencial

Aumento da conta de luz supera a inflação em 2025 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Aneel projeta salto de 15,4% nos subsídios pagos pelos consumidores | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O preço da conta de luz deve superar a inflação novamente neste ano, mantendo a tendência de alta observada nos últimos anos. Projeções da consultoria PSR divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo revelam que a tarifa residencial terá um aumento real de 4% em 2026, enquanto o Boletim Focus prevê um IPCA de 3,91% para o período. Em 2025, a energia elétrica residencial já havia subido 12,3%, superando a inflação de 4,26% registrada no ano passado.

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Especialistas atribuem o encarecimento a fragilidades regulatórias, fatores climáticos e ao aumento de preços em novos contratos entre distribuidoras e geradoras. O processo de descotização das usinas da Eletrobras também pressiona os custos. A lei de privatização de 2022 reduziu gradualmente a exigência de venda de energia abaixo do preço de mercado, patamar que chegará a 0% no próximo ano.

Os encargos embutidos na tarifa representam outro fator de pressão. A Aneel projeta que os consumidores pagarão ao menos R$ 47,8 bilhões em subsídios em 2026, valor 15,4% maior que o registrado em 2025. Esses recursos bancam a Tarifa Social e incentivos para fontes solar e eólica, além de benefícios concedidos a proprietários de painéis solares em telhados.

A consultoria Logos Economia prevê um aumento total de 5,6% na conta do brasileiro. À Folha, o sócio da empresa, Fábio Romão, destaca que o IGP-M, usado no reajuste de tarifas públicas, deve crescer 2,8% neste ano, após fechar 2025 com deflação de 1,05%. O índice deve subir no segundo semestre, período em que diversas regiões realizam seus reajustes anuais de energia.

Clima também impacta na conta de luz

O clima também ameaça o bolso do consumidor. A Logos Economia alerta para a probabilidade de o governo decretar bandeiras amarela e vermelha decorrente do El Niño. O evento climático pode reduzir as chuvas no Norte e no Nordeste no segundo semestre, prejudicando os reservatórios das hidrelétricas. Dados atuais mostram que o volume de chuvas no período úmido está abaixo da média histórica.

Com os reservatórios baixos, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa acionar termelétricas, que possuem um custo de geração mais elevado. Além disso, a falta de incentivos para deslocar o consumo de grandes empresas para horários de excesso de geração solar obriga o acionamento de térmicas durante a noite. Segundo a Abraceel, a tarifa de energia subiu 177% entre 2010 e 2024, contra uma variação de 122% do IPCA no mesmo intervalo.

A Abraceel revela que lobbies políticos e contratos de longo prazo no mercado regulado (de 20 a 30 anos) indexados à inflação impedem a redução dos preços. A associação cita como exemplos de pressões políticas a extensão de contratos de termelétricas a carvão mineral até 2040 e a contratação compulsória de térmicas a gás natural e pequenas hidrelétricas, aprovadas pelo Congresso Nacional.

Leia também: “Mutirão da Serasa oferece desconto de até 99% nas dívidas”

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