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Economia

Desenrola fracassa, e Brasil bate recorde de 82 milhões de endividados

Inadimplência atingiu maior patamar em 14 anos logo que efeitos de programa do governo Lula sumiram

Para participar do Desenrola, os bancos tiveram que 'perdoar' dívidas de quem estivesse inadimplente em até R$ 100 | Foto: Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo
Para participar do Desenrola, os bancos tiveram que 'perdoar' dívidas de quem estivesse inadimplente em até R$ 100 | Foto: Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo

O Brasil atingiu a marca histórica de 81,7 milhões de pessoas com contas atrasadas em fevereiro deste ano. O volume de inadimplentes disparou logo que o programa Desenrola saiu de cena, em maio de 2024. Com o fim da medida, o país ganhou 9 milhões de novos nomes na lista de restrições, o que perfaz o pior índice de débitos em aberto desde 2012.

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A inadimplência na carteira de crédito das pessoas físicas bateu 5,24%. Esse é o maior nível em 14 anos. O Ministério da Fazenda estuda agora uma nova versão do programa para tentar socorrer quem deve em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O governo Luiz Inácio Lula da Silva planeja oferecer descontos de até 80% nessas modalidades.

O buraco dos bancos e das bets

O cartão de crédito lidera a lista de pendências e representa 26,7% do total. Isso faz com que os bancos apareçam como os principais credores. Em seguida, vêm as operadoras dos serviços de energia e água, 21,3% de inadimplentes. Especialistas afirmam que o governo tentou curar apenas os sintomas do problema. A explosão das bets, os juros altos e a oferta desenfreada de crédito fizeram as dívidas voltarem com força.

O Desenrola durou dez meses e atendeu 15 milhões de pessoas. O número ficou muito abaixo da meta inicial, que era de 30 milhões. O programa renegociou R$ 53,2 bilhões, o que equivale a apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o alívio temporário para a baixa renda, o total de pessoas com contas em atraso no país não parou de subir.

Barreiras digitais e erros

A execução do programa enfrentou problemas técnicos logo que a segunda fase começou. O governo exigiu que os interessados tivessem contas nível ouro ou prata no portal Gov.br para acessar a plataforma de descontos. Essa burocracia digital travou a participação da população mais pobre, que era o público-alvo da promessa de campanha de Lula.

Leia também: “CEO da B3 projeta otimismo econômico, mas defende ajuste fiscal”

Analistas criticam a falta de foco na raiz do superendividamento. Para eles, renegociar débitos sem atacar as causas apenas adia a crise financeira das famílias. Com a saída de cena da primeira tentativa governamental, o contingente de brasileiros com nome sujo segue em expansão acelerada.

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