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Em agosto de 2026, investidores estrangeiros retiraram R$ 22 bilhões da Bolsa brasileira, o terceiro maior volume de saídas mensais desde 2008, segundo o J.P. Morgan. Essa movimentação ocorre depois da entrada de R$ 53,4 bilhões no primeiro trimestre do ano e pode indicar que o Ibovespa está supervalorizado. Historicamente, saídas extremas resultaram em quedas médias de 11,3% no índice, embora a baixa atual seja de 5,65%.
Investidores estrangeiros retiraram R$ 22 bilhões da bolsa brasileira em agosto. Segundo análise do J.P. Morgan, o movimento é o terceiro maior registrado em um único mês desde 2008 e pode revelar que o Ibovespa está mais caro do que deveria.
O banco também avalia que o fluxo negativo pode continuar nos próximos meses. A análise considera nove episódios anteriores de retiradas mensais tidas como extremas. Em oito deles, os investidores estrangeiros mantiveram saldo negativo nos três meses seguintes.
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Saída ocorre depois de forte entrada
O movimento chama atenção porque ocorre depois de um primeiro trimestre de 2026 marcado pela entrada de R$ 53,4 bilhões em recursos estrangeiros na bolsa. O volume ficou atrás apenas do registrado no primeiro trimestre de 2022.
Nos episódios históricos de saídas consideradas extremas, o Ibovespa registrou queda média de 11,3%. O resultado, contudo, foi influenciado pelas perdas ocorridas durante a crise financeira global e a pandemia de covid-19.
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Sem esses dois períodos, o recuo médio foi de 6,7% no mês das retiradas mais intensas. Até o momento, o Ibovespa acumula baixa de 5,65% em agosto.
Para os estrategistas do J.P. Morgan, a diferença reforça a avaliação de que o principal índice da bolsa brasileira pode estar acima de um nível considerado adequado diante do tamanho da saída de capital.
Eleições não explicam fluxo, diz banco
Embora o período eleitoral possa aumentar a volatilidade dos mercados, o banco afirma não identificar uma relação consistente entre as eleições brasileiras e a movimentação dos investidores estrangeiros.
Nas quatro últimas eleições presidenciais, houve entrada de recursos nos três meses anteriores e nos três meses seguintes ao pleito, com exceção de 2018.
O J.P. Morgan atribui maior importância a fatores externos, especialmente aos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, e ao comportamento do dólar.
A instituição também analisou a relação entre os fluxos do EEM, fundo negociado em bolsa que acompanha mercados emergentes, e do EWZ, principal fundo de ações brasileiras listado em Nova York. Os dois ativos seguiram a mesma direção em apenas 35% das ocasiões no último ano.
Desde meados de junho, os estrategistas identificam movimentos opostos entre os dois fundos, sinalizando uma divergência nos fluxos de investimento.
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