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Economia

Master negou risco sistêmico ao TCU antes de intervenção do Banco Central 

Ação da instituição de Vorcaro ocorreu em resposta ao processo que questionava negociação de R$ 12,2 bi com o Banco de Brasília

O Banco Master enfrentava grave crise de liquidez, o que elevou o risco de prejuízo de R$ 50 milhões à Amazonprev | Foto: Reprodução/TV Globo
Fachada do Banco Master | Foto: Reprodução/TV Globo

Seis meses antes da intervenção do Banco Central (BC), o Banco Master negou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a existência de risco sistêmico ou má administração em suas operações. A ação ocorreu em resposta ao processo que questionava a negociação de R$ 12,2 bilhões com o Banco de Brasília (BRB).

O Ministério Público no TCU alertava para possíveis impactos ao BRB. Contudo, o Master argumentou que não havia omissão do Banco Central nem irregularidade no negócio, além de solicitar o arquivamento do caso.

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Na manifestação enviada ao TCU em 28 de maio de 2025, a instituição do banqueiro Daniel Vorcaro declarou que não existiam provas de insolvência, má gestão nem violação de normas.

“Não há, nos autos, qualquer evidência de insolvência do Banco Master ou elementos que indiquem risco de colapso institucional, dano ao Erário federal ou iminente acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, afirmou a instituição financeira, conforme documento divulgado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no mês passado. “Não se apresenta também prova de má gestão, descumprimento normativo ou fragilidade estrutural da instituição requerente.”

Crise de liquidez e investigações no caso Master

Com a decisão, auditores do TCU devem fazer uma visita ao BC ainda nesta segunda-feira | Foto: TCU/Divulgação
Prédio-sede do Tribunal de Contas da União (TCU) | Foto: TCU/Divulgação

Naquele período, investigações do BRB e do Banco Central já analisavam as carteiras de crédito fraudulentas, e o Master havia solicitado recursos ao Fundo Garantidor de Crédito para aliviar dificuldades de liquidez. O procurador Júlio Marcelo de Oliveira sustentou que a crise do Master era evidente. Ele pediu que o TCU impedisse a compra do banco de Daniel Vorcaro pelo BRB.

“A crise de liquidez é iminente, visto que o perfil dos compromissos do Banco Master, se confrontado com o de seus ativos, aponta nesse sentido”, argumentou. “O impacto sobre o FGC pode ser muito expressivo. Além disso, aventa-se a possibilidade de uma crise de confiança que atinja outras instituições financeiras de portes médio e pequeno.”

Leia também: “Masterfly”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 316 da Revista Oeste

O plenário do TCU rejeitou por unanimidade a representação do procurador em junho do ano passado. Seus colegas alegaram falta de evidências e competência para fiscalizar o patrimônio do BRB e do FGC.

Em setembro, o Banco Central vetou a tentativa de compra do Master pelo BRB, classificada pela Polícia Federal como “pura camaradagem”.

O Master rebateu as acusações. O banco disse que as alegações do Ministério Público se baseavam “exclusivamente em conjecturas, matérias jornalísticas e impressões de mercado, desprovidas de qualquer evidência concreta de ilegalidade, desvio de finalidade ou risco institucional”. Alertou, ainda, sobre riscos à estabilidade institucional ao considerar motivações políticas sem provas.

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