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A produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho, segundo o IBGE, marcando o segundo resultado negativo consecutivo e frustrando expectativas de uma queda de apenas 0,7%. O economista Carlos Eduardo de Oliveira Jr. afirmou que a recuperação do setor depende de políticas consistentes do governo, com investimentos em modernização e tecnologia. A Fiesp destacou que fatores como alta taxa de juros e pressões de custos dificultam o desempenho industrial.
A forte queda da produção industrial brasileira registrada no último mês de junho, segundo relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta terça-feira, 4, só será revertida com uma política consistente do governo federal. Esta é a afirmação, feita a Oeste, do economista Carlos Eduardo de Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo (Sindecon).
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“A recuperação de capacidades produtivas, o avanço tecnológico e a modernização das cadeias industriais exigem investimentos contínuos e um horizonte de médio e longo prazos.”
A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, revelou que o setor recuou 1,8% em junho, na comparação com o mês anterior, no segundo resultado negativo consecutivo. Mesmo com as dificuldades do governo em reerguer o setor, citadas por Oliveira Jr., o desempenho frustrou as expectativas do mercado. Os analistas projetavam, em média, uma queda mensal de 0,7% e uma alta anual de 3%.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota a respeito, na qual declarou que “o patamar elevado da taxa de juros, o alto comprometimento da renda das famílias, o encarecimento do crédito, as pressões de custos agravadas pela alta do petróleo, a intensificação da concorrência com produtos importados e as incertezas no cenário internacional, ampliadas pela nova escalada das tensões e pelas novas tarifas dos Estados Unidos, devem continuar impondo dificuldades ao desempenho da indústria de transformação em 2026”.
O resultado negativo detectado pelo IBGE atingiu as quatro grandes categorias econômicas: bens de capital (-1,1%), bens intermediários (-1,1%), bens de consumo duráveis (-3,2%) e bens de consumo semi e não duráveis (-4,1%).
De acordo com o levantamento, 16 dos 25 setores pesquisados registraram queda. A de maior impacto foi a do coque, produto derivado do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho.
Capacidades da indústria
Em relação ao mesmo período do ano passado, a produção industrial do país teve alta de 1,7%, depois de variação de 0,2% em maio. Houve alta também no acumulado dos seis primeiros meses de 2026, quando a produção industrial subiu 1,5%. Em 12 meses, até junho, o crescimento foi de 0,7%.
O fato de o mercado de trabalho ainda permanecer aquecido, segundo a Fiesp, é um aspecto positivo. A entidade acrescenta que as medidas de estímulo à economia e o avanço dos investimentos públicos subnacionais tendem a oferecer sustentação à atividade industrial.
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Oliveira Jr., nesse sentido, avalia que os dados refletem uma realidade. Nem todos os setores estão em crise. “Do ponto de vista tecnológico, a defasagem brasileira existe, mas não deve ser interpretada como um atraso generalizado”, observa o economista.
“O país possui polos altamente competitivos em setores como aeronáutica, agronegócio, petróleo e gás, biocombustíveis e serviços financeiros digitais. O principal desafio está na disseminação dessas capacidades para uma parcela maior da indústria.”
A produtividade, segundo ele, deve ser acompanhada de outros fatores. “O desafio brasileiro não é apenas aumentar a produção, mas acelerar investimentos em inovação, qualificação profissional e transformação digital para elevar a competitividade de longo prazo.”
Excelente
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