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Economia

Recuperação da indústria depende de investimento contínuo

Afirmação é do economista Carlos Eduardo de Oliveira Jr. presidente do Sindecon, que analisou a forte queda da produção industrial brasileira em junho

Queda produção indústria junho 2026 Brasil IBGE
O fato de o mercado estar aquecido é uma perspectiva positiva em meio à queda no mês, segundo Fiesp | Foto: Simon Kadula/Unplash

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A produção industrial brasileira caiu 1,8% em junho, segundo o IBGE, marcando o segundo resultado negativo consecutivo e frustrando expectativas de uma queda de apenas 0,7%. O economista Carlos Eduardo de Oliveira Jr. afirmou que a recuperação do setor depende de políticas consistentes do governo, com investimentos em modernização e tecnologia. A Fiesp destacou que fatores como alta taxa de juros e pressões de custos dificultam o desempenho industrial.

A forte queda da produção industrial brasileira registrada no último mês de junho, segundo relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta terça-feira, 4, só será revertida com uma política consistente do governo federal. Esta é a afirmação, feita a Oeste, do economista Carlos Eduardo de Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo (Sindecon).

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“A recuperação de capacidades produtivas, o avanço tecnológico e a modernização das cadeias industriais exigem investimentos contínuos e um horizonte de médio e longo prazos.”

A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, revelou que o setor recuou 1,8% em junho, na comparação com o mês anterior, no segundo resultado negativo consecutivo. Mesmo com as dificuldades do governo em reerguer o setor, citadas por Oliveira Jr., o desempenho frustrou as expectativas do mercado. Os analistas projetavam, em média, uma queda mensal de 0,7% e uma alta anual de 3%.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou nota a respeito, na qual declarou que “o patamar elevado da taxa de juros, o alto comprometimento da renda das famílias, o encarecimento do crédito, as pressões de custos agravadas pela alta do petróleo, a intensificação da concorrência com produtos importados e as incertezas no cenário internacional, ampliadas pela nova escalada das tensões e pelas novas tarifas dos Estados Unidos, devem continuar impondo dificuldades ao desempenho da indústria de transformação em 2026”.

O resultado negativo detectado pelo IBGE atingiu as quatro grandes categorias econômicas: bens de capital (-1,1%), bens intermediários (-1,1%), bens de consumo duráveis (-3,2%) e bens de consumo semi e não duráveis (-4,1%).

De acordo com o levantamento, 16 dos 25 setores pesquisados registraram queda. A de maior impacto foi a do coque, produto derivado do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho.

Capacidades da indústria

Em relação ao mesmo período do ano passado, a produção industrial do país teve alta de 1,7%, depois de variação de 0,2% em maio. Houve alta também no acumulado dos seis primeiros meses de 2026, quando a produção industrial subiu 1,5%. Em 12 meses, até junho, o crescimento foi de 0,7%.

O fato de o mercado de trabalho ainda permanecer aquecido, segundo a Fiesp, é um aspecto positivo. A entidade acrescenta que as medidas de estímulo à economia e o avanço dos investimentos públicos subnacionais tendem a oferecer sustentação à atividade industrial.

Leia também: “Todos perdem com o tarifaço”, reportagem de Raphaela Ribas publicada na Edição 330 da Revista Oeste

Oliveira Jr., nesse sentido, avalia que os dados refletem uma realidade. Nem todos os setores estão em crise. “Do ponto de vista tecnológico, a defasagem brasileira existe, mas não deve ser interpretada como um atraso generalizado”, observa o economista.

“O país possui polos altamente competitivos em setores como aeronáutica, agronegócio, petróleo e gás, biocombustíveis e serviços financeiros digitais. O principal desafio está na disseminação dessas capacidades para uma parcela maior da indústria.”

A produtividade, segundo ele, deve ser acompanhada de outros fatores. “O desafio brasileiro não é apenas aumentar a produção, mas acelerar investimentos em inovação, qualificação profissional e transformação digital para elevar a competitividade de longo prazo.”

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