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Política

Lulinha pode derrotar Lula, daí o desespero

Lulinha pode derrotar Lula, mas como mandar o caso para a 1ª instância, se o presidente teria sido citado em mensagem da lobista Roberta?

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Lulinha tirou da gaveta uma das empresas usadas para prestar serviços à Oi e receber pagamentos do Instituto Lula: a G4 Entretenimento Digital | Foto: Reprodução/YouTube/Jornal da Record

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Lulinha, filho do presidente Lula, enfrenta investigações sobre suposto tráfico de influência, com a PGR buscando transferir seu caso para a primeira instância, alegando falta de foro privilegiado. A situação se complica com vazamentos que sugerem envolvimento de Lulinha em negócios ilícitos relacionados ao governo. Mensagens de um grupo de WhatsApp, chamado "Musaranhos", revelam discussões sobre negócios com a lobista Roberta Luchsinger, que se gaba de sua proximidade com Lula.

Lulinha pode derrotar Lula, e as instituições que não param de funcionar se movimentam para tentar conter a sangria. O desespero é evidente.

Depois do corpo mole e das manobras processuais da PF nas investigações sobre o suposto tráfico de influência do filho do presidente, André Mendonça agora tem de enfrentar a presteza da PGR, que quer tirar Lulinha da alçada do ministro e mandar o seu caso para a primeira instância, alegando que ele não tem foro privilegiado.

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Por que Paulo Gonet não fez o mesmo com os condenados de 8 de janeiro, todos eles cidadãos bem mais comuns do que o filho do presidente?

Porque a letra da lei, no Brasil, tornou-se instrumento de ocasião, assim como a jurisprudência do STF. A razão jurídica depende de quem julga e de quem é julgado.

É de se perguntar — retoricamente — se a PGR pediria para mandar Lulinha para a primeira instância, se o relator do caso do INSS fosse Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou Gilmar Mendes.

Lulinha virou problema urgentíssimo para Lula, porque os vazamentos para a imprensa se avolumaram e apontam, na razão inversa à presunção de inocência, que o rapaz está mais enredado do que se pensava com o bando que roubou de aposentados e pensionistas e que, sabe-se agora, enxergava o governo do chefão petista como mina de ouro em outros negócios para o bem da humanidade.

Escrevi em dezembro do ano passado que é sempre uma alegria ouvir falar em Lulinha. Por que não seria? Ele é o filho mais honesto do mundo do pai mais honesto do mundo, e, como tal, só atrai gente exemplar.

Como o amigão do peito Fernando Bittar, sócio do filho do presidente  na Gamecorp, a produtora que recebeu um caminhão de dinheiro da Oi, dono formal do sítio de Lula que não era de Lula — e que reaparece agora como suposto sócio da lobista Roberta Luchsinger e do filho do presidente.

Os jornalistas Laryssa Borges e Ricardo Chapola, que tiveram acesso à íntegra do material de investigação da PF, publicaram que Lulinha, Bittar e Roberta mantinham um grupo de WhatsApp batizado de “Musaranhos”, no qual eles eram os “Musos” e ela, a “Musa”. Discutiam negócios em andamento com o governo, projetavam ganhar uma bolada, a Suíça era o futuro de todos.

Roberta Luchsinger é gente boa: alugou por meio de um laranja uma mansão para Lulinha usar quando ia a Brasília. Pagava contas para o chefe de gabinete de Lula, o Marcola, que a pôs em contato com um petista histórico então alojado no Ministério da Saúde, o Berger, nome ideal para abrir portas para um contrato de fornecimento de remédios à base de canabidiol no qual o Careca do INSS apostava pesado.

No grupo Musaranhos, há a seguinte troca de mensagens, segundo os jornalistas:

Roberta: “Pousei. Vou lá no Berge”.

Lulinha: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”.

Roberta: “Precisamos 100% do Berger”.

A lobista se jactava de ter proximidade com Lula, sim com o presidente da República. De acordo com os jornalistas, em 2024, em mensagem enviada a certo Gustavo Gaspar, Roberta afirma:

“Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio (Lulinha) e Fernando (Bittar).”

Ela também disse em mensagem ao interlocutor que “tô em cargo nenhum e ando onde eu quero”. E declarou: “Fabio e eu somos uma coisa só. Se um fala, todos vão. A gente é mesmo irmão sabe”.

Segundo a revista, há ainda outra mensagem na qual ela diz: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo precisa. Tem q se preservar.”

Faço perguntas que costumavam ser feitas pela imprensa d’antanho:

Lula convidou, de fato, Roberta Luchsinger para integrar o governo?

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A lobista era mesmo sócia oculta de Lulinha (e de Bittar) em negócios nos quais ele fazia de tudo para “se preservar”?

O presidente da República sabia dessa sociedade oculta, como afirmou a lobista?

Com Lula citado em mensagem de Roberta Luchsinger, imagino que fica difícil mandar o caso de Lulinha para a primeira instância.

Leia também: “Os esquecidos do 8 de janeiro”, reportagem publicada na Edição 336 da Revista Oeste

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